França/violência

Passeata em Madri homenageia militante francês morto por skinhead

Militantes de extrema esquerda homenageiam Clément Méric, que morreu na quinta-feira em Paris atacado por um grupo de skinheads.
Militantes de extrema esquerda homenageiam Clément Méric, que morreu na quinta-feira em Paris atacado por um grupo de skinheads. REUTERS/Charles Platiau

Centenas de manifestantes se reuniram neste domingo no centro de Madri para homenagear o militante de extrema-esquerda francês Clément Méric, 18 anos, que morreu nesta quinta-feira em Paris depois de ser atingido por um soco, durante uma discussão com um grupo de skinheads.

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Os manifestantes colocaram uma foto do jovem no chão, ao lado de duas velas e de um buquê de flores, com os dizeres, “Clément, irmão, não te esquerecemos nunca. ‘ Mari Cruz Otero, 67 anos, membro da Coordenação antifacista de Madri, disse que a homenagem era uma maneira de apoiar a família do jovem. ‘’Vim para mostrar minha solidariedade, sou antifacista, lutei contra a ditadura’, afirmou.

Neste sábado, Esteban Morillo, un skinhead de 20 anos originário de Cadix, na Espanha, e de nacionalidade francesa, foi indiciado por homicídio culposo, ou no jargão jurídico francês, "violências voluntárias que acarretaram a morte sem a intenção de matar." Outros três integrantes do grupo foram acusados de "violência voluntária em grupo" e Katia, a única mulher, por cumplicidade. Além de Esteban, Samuel D. 19 anos também teve a prisão temporária decretada pela Justiça.

A Promotoria de Paris qualificou o crime de homicídio doloso, mas o juiz de instrução não aceitou a acusação, estimando que Esteban não teve a intenção de matar o jovem militante. Para o promotor François Molins, três elementos justificariam a tese de homicídio doloso: a força e a violência dos murros, a possível utilização de um soco inglês, que ainda não foi confirmada, e a morte provocada pelo espancamento, confirmada pela autópsia.

O acusado afirma que bateu em Clément sem armas, e que deu dois socos.  Esteban e os três outros acusados reconheceram ser simpatizantes do movimento de extrema-direta Terceira Via. Paralelamente, o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault anunciou que irá determinar a "dissolução imediata" do grupo Juventude Nacionalista Revolucionária, que teria entre 20 e 30 membros, atuam como uma espécie de ''guarda-costas'' do Terceira Via. Neste sábado, milhares de pessoas também foram às ruas na França pedindo Justiça.

 

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