França/Reféns da AQMI

Chegam a Paris franceses sequestrados pela Al-Qaeda do Maghreb Islâmico

Libertado, Daniel Larribe é recebido por François Hollande e abraça familiares
Libertado, Daniel Larribe é recebido por François Hollande e abraça familiares REUTERS/Jacky Naegelen

Chegaram em Paris, às 11h45 da manhã no horário local, os quatro franceses que estavam em poder da Al-Qaeda do Maghreb Islâmico (Aqmi), braço da rede terrorista no norte da África. Depois de três anos de cativeiro, Thierry Dol, Daniel Larribe, Pierre Legrand e Marc Féret foram recebidos nesta quarta-feira por suas famílias e pelo presidente francês François Hollande. Sorridentes e vestidos em trajes ocidentais, eles desceram do avião branco do governo ao lado dos ministros das Relações Exteriores, Laurent Fabius; e da Defesa, Jean-Yves Le Drian, e foram direto ao encontro de seus familaires.

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Cerca de 20 pessoas esperavam no aeroporto militar de Villacoublay, na região parisiense, pelo voo originário de Niamey. Os quatro ex-reféns passaram a última noite em uma casa, na capital nigerina, onde se alimentaram, tomaram banho e cortaram barbas e cabelos. "Foi muito difícil, mas foi também uma provação da vida", declarou na chegada o engenheiro Thierry Dol, originário da Martinica.

Os quatro trabalhavam em uma mina de urânio da gigante francesa de energia nucelar Areva em Arlit, no norte do Níger, quando foram sequestrados, em 16 de setembro de 2010. Desde então, o governo francês negocia sua libertação, descartando sempre o pagamento de resgate, uma política estabelecida durante a intervenção no Mali, no ano passado.

No entanto, uma matéria publicada nesta quarta-feira pelo site do jornal Le Monde, acusa a Direção Geral de Segurança Exterior (DGSE, órgão de inteligência do governo francês) de ter entregue cerca 20 milhões de euros aos sequestradores. Nesta terça-feira, Laurent Fabius afirmou em entrevista à rede de televisão Europe 1 que "A França não paga resgate".

A iniciativa privada não teria a mesma restrição. Em entrevista televisiva, a filha de um francês ainda preso na África disse ter sido informada pelo governo francês de que a "Areva certamente pagaria" o resgate. De acordo com uma fonte regional, as negociações sobre a libertação dos franceses foram conduzidas pelo antigo ministro nigerino Momamed Akotey, atual presidente do conselho de administração da Imouraren SA, filial da Areva no Níger.

Embora o local de cativeiro dos quatro franceses não seja conhecido, uma alta fonte do governo local afirmou que as últimas negociações aconteceram na região de Anefis, próxima da fronteira do Mali com a Argélia. Outras fontes garantem que o helicóptero que trouxe os reféns para Niamey teria partido justamente dessa região.

Independentemente do pagamento, a participação nigerina foi fundamental para o bom desfecho do sequestro, já que a França perdeu parte de seus interlocutores na região depois da operação Serval, no Mali. A reativação desta rede de negociações foi possível graças ao presidente do Níger, Mahamadu Issufu, que usou seus articuladores para chegar aos terroristas.

Em entrevista exclusiva à Radio França Internacional, Issufu afirmou que a libertação dos reféns foi resultado de uma colaboração estreita entre os dois países. Na noite de ontem, François Hollande também destacou a colaboração do governo nigerino na operação e mandou uma mensagem de esperança aos sete franceses que seguem em cativeiro. Dois estão no Sahel, um na Nigéria e quatro jornalistas, na Síria.

 

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