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França expulsou o dobro de ciganos em 2013

Acampamento de ciganos na França.
Acampamento de ciganos na França. nationspresse.info

A França expulsou em 2013 quase 20 mil ciganos de seus acampamentos, mais do que o dobro em relação a 2012. Os dados foram publicados em um relatório apresentado nesta terça-feira (14) pela Liga dos Direitos Humanos (LDH) e o Centro de Direitos Humanos de Roma (ERRC na sigla em inglês).

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De acordo com esta pesquisa, as autoridades francesas desmantelaram 165 acampamentos dos 400 existentes na França, expulsando no total 19.380 pessoas, contra 9.404 em 2012, e 8.455 em 2011. Pelo menos 22 acampamentos também foram destruídos em incêndios, afetando 2.157 pessoas.

De acordo com as estatísticas oficiais publicadas pelo governo francês, menos de 17 mil ciganos, originários principalmente da Romênia ou da Bulgária, vivem em acampamentos ilegais. Mas o número de expulsões acaba sendo maior porque algumas pessoas mudam de local com frequência, sendo despejadas várias vezes.

"As expulsões evidenciam a política existente, de rejeição aos ciganos", dizem os autores do relatório. Para as duas organizações, as medidas contra a minoria se tornaram ainda mais rígidas no governo do presidente François Hollande, eleito em 2012. "A única coisa que as autoridades francesas desejam é que eles voltem para seus países", ressalta o documento.

As expulsões, entretanto, não dão o resultado esperado pelas autoridades francesas. Além de caras, acabam sendo inúteis, porque os ciganos voltam para a França, já que têm direito de circular livremente na União Europeia. Um dos autores do estudo, Philippe Goossens, também explicou que muitas vezes essas famílias acabam se instalando nos mesmos locais de onde foram expulsas.

O ministro do Interior francês, Manuel Valls, defende a política de desmantelamento dos acampamentos, e declarou recentemente que os ciganos romenos e bulgáros "deveriam voltar para a Romênia ou a Bulgária."

Em setembro, ele também questionou a real possibilidade de integração da minoria na França, provocando uma violenta reação da ala menos conservadora do governo.

O ministro francês acabou admitindo em entrevista à rádio francesa France Inter que estava "arrependido" pelo tom utilizado em suas próprias declarações. Ele acabou ficando em uma saia-justa depois de o premiê francês, Jean Marc Ayrault, declarar em  um discurso na Assembleia Nacional que a integração dos ciganos era possível.

Em 2010, ainda no governo de Nicolas Sarkozy, a Comissão Europeia chegou a abrir um processo contra o governo francês pela sua política em relação aos ciganos romenos.
 

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