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França/ extremismo

Radicalização de jovens muçulmanos preocupa governo francês

Ministro Manuel Valls considera retorno de jovens juhadistas à Europa "particularmente delicado".
Ministro Manuel Valls considera retorno de jovens juhadistas à Europa "particularmente delicado". REUTERS/Charles Platiau
Texto por: RFI
3 min

A partida de “uma dúzia” de menores franceses para combater na Síria nas últimas semanas resume uma situação “jamais vista” na França, nas palavras do ministro do Interior, Manuel Valls: a radicalização de jovens muçulmanos. “Este é o maior perigo que nós devemos encarar nos próximos anos”, declarou o ministro neste domingo (9).

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“O fenômeno me preocupa – e esta palavra é pouco”, afirmou Valls. “Nós, franceses e europeus, podemos ser pegos por este problema, visto a amplitude dele”, declarou.

De acordo com o ministério do Interior, cerca de 700 franceses jihadistas estão implicados de alguma forma no conflito na Síria – um número incomparável ao de engajados nas guerras no Afeganistão, no Mali ou na Somália. Cerca de 250 franceses ou pessoas que moram na França estão combatendo em solo sírio, e em torno de 100 se preparam para ir até o país, em guerra há quase três anos. De acordo com os dados recolhidos pela pasta, outros 150 manifestaram a intenção de participar do conflito e 76 já retornaram à França, enquanto 21 morreram em combate.

Menores na linha de frente

Nas últimas semanas, o fenômeno “se acelerou”, conforme Valls: seis menores foram para a Síria e outros seis manifestaram a intenção de fazer a viagem para lutar ao lado de rebeldes extremistas.

Na sexta-feira, o pai de um dos adolescentes testemunhou ao jornal Dépêche du Midi sobre a radicalização do filho de 15 anos e de um amigo de escola, que partiram em direção à Síria recentemente. O homem evoca uma “lavagem cerebral” que teria sido feita no filho. “Eles talvez ainda não estejam na Síria, mas provavelmente na Turquia. Nós estamos agindo junto com as famílias para tentar recuperá-los”, declarou o ministro.

Valls explicou que o recrutamento de jovens não acontece nas mesquitas, mas sim através da internet. Ele afirmou que não existe “especificidades regionais”, ao ser questionado por um jornalista da emissora de rádio Europe 1 sobre o maior número de casos na região de Toulouse, no sudeste da França.

Retorno delicado

As autoridades belgas foram as primeiras a demonstrar publicamente as preocupações com o problema, ao alertar sobre a partida crescente de muçulmanos belgas em direção à Síria. De acordo com os governos francês e belga, em dezembro o total de jovens europeus que haviam feito o deslocamento era entre 1,5 mil e 2 mil, contra 600 em junho. “Estes indivíduos demonstram a vontade de combater em organizações jihadistas. O retorno destes jovens é particularmente delicado”, alertou Valls.
 

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