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França/governo

Valls promete cortes de gastos do Estado e alívio fiscal para salário mínimo

Reprodução de vídeo do primeiro discurso do Primeiro-Ministro Manuel Valls na Assembléia Nacional.
Reprodução de vídeo do primeiro discurso do Primeiro-Ministro Manuel Valls na Assembléia Nacional. Reprodução de vídeo.
Texto por: RFI
5 min

Em um discurso de 47 minutos diante da Assembleia de Deputados, o primeiro-ministro da França, Manuel Valls, pediu um voto de confiança dos parlamentares. Em um tom determinado, Valls prometeu medidas para estimular a economia da França, sobretudo a redução dos encargos fiscais para os salários mais baixos. Ele reiterou o objetivo de economizar 50 bilhões de euros até 2017 para reduzir o déficit público. Mas as palavras fortes do premiê foram muitas vezes entrecortadas por vaias e até por gritos.

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"Muito sofrimento e pouca esperança. Essa é a situação da França hoje". Com essas palavras, o primeiro-ministro Manuel Valls iniciou o discurso de política geral diante do Parlamento francês. Logo nos primeiros minutos, o primeiro-ministro prometeu “dizer a verdade aos franceses” para que a população possa “voltar a ter confiança no futuro”. 

“Dizer o essencial para ir ao ponto essencial: a confiança dos franceses”, afirmou o primeiro-ministro. Mas muitos dos projetos e propostas de Valls são de longo prazo, o que suscitou vaias por parte dos parlamentares presentes na sessão.

Diante dos deputados, Valls defendeu as reformas já feitas pelo Partido Socilaista no poder, como a aprovação do casamento entre homossexuais e as medidas do governo para estimular a economia, um tema, que aliás, ditou boa parte o discurso.

Sem meias palavras, Valls acusou os governos anteriores dos presidentes Jacques Chirac e Nicolas Sarkozy de terem ampliado os déficits e aumentado os impostos da classe média para tentar reduzir a dívida do país. Para o premiê, essa estratégia foi “inaceitável”. “Temos que dar novamente à França a força econômica que ela perdeu nos últimos 10 anos para que se possa baixar o desemprego”.

Corte de despesas e dos impostos

Em um dos anúncios mais esperados, Manuel Valls prometeu um alívio dos encargos fiscais para os assalariados com renda mais baixa. Quem ganha o salário mínimo, fixado atualmente em 1.445,38 euros (valor bruto) - R$ 4.400 reais- terá uma redução de impostos e das contribuições sociais. “São 500 euros complementares por ano para quem ganha o salário mínimo”, prometeu Valls.

O primeiro-ministro anunciou também uma série de medidas para reduzir o custo do trabalho, um pacote estimado em 30 bilhões de euros cujo principal objetivo é estimular a criação de empregos.

Valls também confirmou que o Estado fará economias de 50 bilhões de euros até 2017 para reduzir o déficit público (4,3% em 2013). O governo fará a lição de casa economizando 19 bilhões de euros em três anos. O setor da saúde fará economias de 10 bilhões de euros; outros 10 bilhões serão poupados nos repasses das verbas da União aos governos locais. O restante virá de um conjunto de medidas em diversas esferas da administração, prometeu o primeiro-ministro.

Em nível regional, Valls propôs uma reforma administrativa para diminuir o tamanho do Estado, mas nesse caso, o calendário foi esticado até 2021. Das atuais 22 regiões administrativas em território metropolitano, o premiê propõe um enxugamento para dez ou onze regiões. Essa reforma, considerada consensual pela classe política, poderá estar concluída em 2017. Por outro lado, a simplificação dos departamentos franceses (99 atualmente) foi projetada para 2021.

Ecologia

Em relação aos projetos na área de meio ambiente, ele prometeu uma redução de 75% para 50% da participação de energia nuclear no consumo de energia elétrica. Segundo o premiê, essa proposta será apresentada ainda neste semestre dentro da lei de transição energética.

Trajetória pessoal

No final do seu pronunciamento, Valls deu um tom mais pessoal. Ele lembrou das suas origens espanholas e dos motivos que o levaram a se tornar cidadão francês já adulto, aos 20 de idade.  “A França tem a mesma grandeza que tinha no meu olhar de criança. Por isso, quis me tornar francês. Há poucos países no mundo que autorizam [um cidadão naturalizado] a assumir um das suas mais altas funções”, declarou.

Em um recado direto para os deputados, Valls pediu “com o coração pulsando” o voto confiança da casa para que ele possa comandar o governo. A sessão de votos deve ser concluída nas próximas horas.

 

 

 

 

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