França/Política

Nicolas Sarkozy é indiciado por corrupção ativa

Pouco antes da meia-noite, Nicolas Sarkozy foi levado em uma viatura da polícia para o Tribunal de Paris, onde foi indiciado.
Pouco antes da meia-noite, Nicolas Sarkozy foi levado em uma viatura da polícia para o Tribunal de Paris, onde foi indiciado. REUTERS/Pascal Rossignol

Depois de um interrogatório de 15 horas, o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, de 59 anos, foi indiciado na madrugada desta quarta-feira (2) por corrupção ativa, tráfico de influência e violação do sigilo profissional. Se for considerado culpado, o ex-presidente pode pegar até 10 anos de prisão.

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A sequência de fatos envolvendo Sarkozy é inédita na história da França. Ontem, pela primeira vez, um ex-presidente foi detido para responder a interrogatório. Ele chegou nas instalações da Brigada Anticorrupção de Nanterre, na região parisiense, às 8h no horário local, foi interrogado até cerca de 23h30 e apresentado, em seguida, às duas juízas que investigam o caso para ouvir as acusações formuladas contra ele. O ex-presidente deixou o gabinete das juízas, em Paris, por volta das 2h da madrugada.

Sarkozy é acusado de tentar extrair informações de um magistrado de alto escalão sobre processos nos quais ele era citado, especialmente o caso Bettencourt, de suposto financiamento ilegal da campanha presidencial de 2007. O ex-chefe de Estado já havia sido indiciado no caso Bettencourt, mas a justiça arquivou o processo por falta de provas.

Neste segundo desdobramento do caso, a polícia obteve indícios do suposto tráfico de influência ao colocar Sarkozy e seu advogado, Thierry Herzog, sob escuta telefônica no ano passado. Em troca das informações sobre o andamento dos processos, o ex-presidente teria prometido um cargo de prestígio para o magistrado Gilbert Azibert, em Mônaco.

Mais cedo nesta terça-feira, Herzog e Azibert também foram indiciados no âmbito da mesma investigação. Herzog, um prestigioso advogado parisiense, foi acusado de violação do sigilo profissional, acobertamento desse delito, corrupção ativa e tráfico de influência. Já Azibert foi acusado de acobertamento de violação do sigilo profissional, tráfico de influência passiva e corrupção passiva. Herzog pode manter a relação com seu cliente.

As acusações contra Sarkozy são graves. As juízas consideraram que o ex-presidente comandou o tráfico de influência por intermédio de seu advogado.

"Esses fatos se baseiam unicamente em escutas que impugnamos e cuja legalidade será questionada firmemente", declarou o advogado de Herzog, Paul-Albert Iweins.

A decisão de grampear os telefones de Sarkozy havia sido tomada em setembro do ano passado pelo juiz que investiga as acusações de financiamento ilegal de sua campanha eleitoral em 2007.

Um retorno político complicado

Em 2012, Sarkozy foi derrotado nas urnas pelo socialista François Hollande. O processo em andamento pode complicar, seriamente, qualquer tentativa de Sarkozy se candidatar às eleições em 2017.

Com a crise em seu partido, a UMP, o ex-presidente dava sinais cada vez mais claros de que pretendia voltar à vida política. O partido conservador se encontra mergulhado em uma crise sem precedentes, devido a um escândalo de notas frias, e enfraquecido diante do avanço da extrema-direita nas últimas eleições europeias.

Os obstáculos judiciários cada vez mais numerosos dificultam o retorno de Sarkozy à vida pública. O ex-presidente está envolvido em mais sete investigações judiciais.

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