França/Estado Islâmico

François Hollande propõe conferência internacional sobre crise no Iraque

O jornal Le Monde desta quarta-feira (20) estampa entrevista com o presidente francês, François Hollande, em sua capa.
O jornal Le Monde desta quarta-feira (20) estampa entrevista com o presidente francês, François Hollande, em sua capa. Reprodução

Considerando que a atual crise no Iraque é a mais grave desde 2001, o presidente francês, François Hollande, afirmou ao jornal Le Monde que chegou às bancas nesta quarta-feira (20) que vai propor a realização de uma conferência internacional sobre a segurança no país e a luta contra a organização extremista Estado Islâmico.

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“Não podemos mais insistir no debate tradicional sobre intervir ou não intervir no Iraque. Temos que elaborar uma estratégia global contra este grupo que conta com importantes financiamentos, armas muito sofisticadas e que ameaça países como o Iraque, a Síria ou o Líbano”, disse François Hollande, em entrevista ao jornal francês Le Monde.

Para o presidente francês, a situação internacional é a mais grave desde 2001, quando os Estados Unidos decidiram intervir no Iraque, após os atentados do 11 de Setembro. “Devemos encarar não somente um movimento terrorista como a Al-Qaeda, mas a um Estado quase terrorista”, alertou.

Braço da Al-Qaeda, os radicais do Estado Islâmico proclamaram em junho a instituição de um califado em uma região entre a Síria e o Iraque. Só no último mês, os extremistas recrutaram seis mil soldados na Síria, e contariam com cerca de 15 mil homens atualmente. O que mostra, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), o rápido crescimento do grupo.

Culpa dos Estados Unidos

Para Hollande, a crise atual no Iraque é conseqüência da escolha dos Estados Unidos de não frear os abusos do regime do presidente sírio Bashar al-Assad, há cerca de um ano. “A comunidade internacional tem uma grande responsabilidade sobre o que acontece na Síria”, estimou.

De acordo com o chefe de Estado francês, se os líderes ocidentais tivessem reagido, há um ano, à utilização de armas químicas pelo exército de Assad, a situação teria evoluído de forma diferente. “Não teríamos que escolher entre um ditador ou um grupo terrorista, quando a rebelião síria merece todo nosso apoio”, disse, em relação à “parceria” entre Estados Unidos e o exército sírio. Ambos lutam contra o avanço do Estado Islâmico, respectivamente, no norte do Iraque e na região da fronteira iraquiana com a Síria.

A entrevista de François Hollande foi concedida ao diário Le Monde antes da divulgação do vídeo na terça-feira (19) da decapitação do jornalista norte-americano James Foley pelo Estado Islâmico. Apesar de ainda não ter sido confirmada pela Casa Branca, a barbárie foi condenada por diversas autoridades europeias que ressaltaram a necessidade urgente de combater os extremistas islâmicos.

Fim do financiamento do Estado Islâmico

O chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, declarou que a conferência proposta por Hollande deve trabalhar sobre medidas sobre o fim do financiamento do Estado Islâmico. Ele fez um apelo nesta tarde para que os países do Oriente Médio, entre eles o Irã, além dos cinco integrantes permanentes do Conselho de Segurança da ONU, também se envolvam no combate ao Estado Islâmico.

“Nós consideramos que este grupo terrorista é de um perigo e de uma natureza diferente dos outros. Estamos diante de uma empresa de destruição”, disse Fabius, ressaltando o temor de que o grupo possa se disseminar até a Europa. “O objetivo do Estado Islâmico é assassinar todos os que não submeterem a suas ordens”, completou.

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