Jornalismo/França

Diretora de escola de jornalismo da Sciences-Po é suspensa após acusação de plágio

Fachada do Instituto de Ciências Políticas de Paris.
Fachada do Instituto de Ciências Políticas de Paris. wikipedia

Agnès Chauveau, diretora da escola de jornalismo da Sciences-Po, o renomado Instituto de Ciências Políticas de Paris, foi suspensa provisoriamente depois de ser acusada de ter plagiado frases e parágrafos de várias reportagens para alimentar as suas crônicas. O diretor do instituto, Bruno Patino, informou que ela ficará afastada até a conclusão das investigações.

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A Escola de Jornalismo da Sciences-Po está envolvida em um escândalo que mancha a reputação na instituição. Apesar de manter a cautela em relação às acusações que pesam contra Agnès Chauveau, o diretor do Instituto de Ciências Políticas de Paris leva a sério o assunto. “O plágio é um assunto sério quando se trata de jornalismo”, escreveu para os estudantes. “Uma escola que ensina a ética não pode levar esse tipo de coisa na brincadeira. Por isso, depois de falar com Agnès, pedi uma auditoria independente (...). Até [a conclusão], Agnes está suspensa das suas funções”, concluiu Bruno Patino.

O site Arrêt sur Images passou o seu programa de identificação de plágio em vários textos que a diretora executiva da Escola de Jornalismo da Sciences-Po escreveu para o Huffington Post e para o seu programa de rádio na France Culture. A ferramenta encontrou parágrafos inteiros e frases originárias de reportagens de outros veículos, como a RFI, o jornal Le Monde e o site Mediapart. “O caso mais problemático: a transcrição de frases inteiras sem nenhuma menção sobre a origem. Em um quarto das vinte crônicas publicadas, a fonte não é mencionada”, escreve o site Arrêt sur Images.

O site afirma que, algumas vezes, Agnès Chauveau até cita reportagens de outros colegas e fornece os links para matérias, mas ela não o faz quando “copia tudo ou partes de um parágrafo”, diz Arrêt sur Images. “Às vezes, a jornalista cita o nome do veículo, mas não o artigo que foi a sua ‘inspiração’”.

Agnès Chauveau nega desonestidade

Em resposta às acusações do Arrêt sur Images, a jornalista afirma que “não tem tempo de citar todas as suas fontes no ar”. Em sua defesa, ela também argumentou: “Esqueço de citar algumas matérias, mas isso não é feito de propósito e irei corrigir sempre que isso representar um problema”.

Os estudantes de jornalismo do Instituto de Ciências Políticas de Paris assinam um código de ética que determina eles têm que citar “explicitamente os colegas dos quais reproduzem o texto ou mesmo um fragmento de algumas palavras”. Para evitar fraudes, a escola também usa um programa que identifica plágios nos trabalhos e provas dos universitários.

Reprodução do texto do site Arrêt sur Images que mostra trechos copiados pela jornalista:

Reprodução arretsurimages.net

 

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