França/Entrevista

Hollande assume que perdeu a luta contra o desemprego e defende reformas

O presidente francês, François Hollande, durante entrevista à rádio France Inter.
O presidente francês, François Hollande, durante entrevista à rádio France Inter. REUTERS/Remy de la Mauviniere/Pool

Em sua ofensiva de comunicação para reconquistar a confiança dos franceses, o presidente François Hollande concedeu uma entrevista de duas horas, na manhã desta segunda-feira (5), à rádio pública France Inter. Ele respondeu, ao vivo, a perguntas feitas por jornalistas e ouvintes. Hollande reconheceu que perdeu a batalha contra o desemprego nos dois primeiros anos de seu mandato, mas disse acreditar na retomada do crescimento com as reformas propostas pelo ministro da Economia, Emmanuel Macron. 

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Segundo o presidente, se a França crescer acima de 1% em 2015, como prevê o governo, o resultado vai contribuir para reduzir o déficit público, atualmente superior a 4% do PIB. Hollande se comprometeu a não criar mais nenhum imposto este ano. Uma mensagem endereçada à classe média, que teve o poder de compra decepado pelas altas sucessivas nas alíquotas do imposto de renda. "Se em 2016 ou 2017 a situação melhorar, veremos se será possível diminuir os impostos", acrescentou. 

Hollande tem aumentado o contato direto com os franceses na perspectiva das eleições locais em março, também chamadas departamentais, e das regionais, programadas para dezembro de 2015. As pesquisas apontam vitória da oposição de direita e de extrema-direita e um grande fiasco eleitoral para os candidatos do Partido Socialista.

Depois de atingir uma taxa de popularidade de 13% no segundo terceiro trimestre do ano passado, Hollande intensificou o contato direto com os franceses. A estratégia tem dado resultado. Sua taxa de aprovação subiu de 5 a 12 pontos, de acordo com pesquisas do mês de dezembro. O socialista iniciou o ano com popularidade de 17% a 25%, conforme sondagens diferentes.

O pacote de medidas do ministro Macron, em tramitação na Assembleia, prevê a quebra do monopólio de atividades liberais, como cartórios e tabeliães, farmácias, transporte turístico, entre outros. O plano também prevê a abertura do comércio aos domingos 12 vezes ao ano, contra cinco atualmente. "Com compensações salariais, é claro", disse Hollande.

Clima, Ucrânia e jihadismo

Na área de política externa, o presidente francês disse que seu governo trabalha para que a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP 21, marcada para dezembro, em Paris, seja um sucesso. Ele definiu as metas da França para o encontro: a conclusão de um acordo global, que obrigue todos os países a diminuir as emissões de gases que provocam o efeito estufa; reunir US$ 100 bilhões para o Fundo do Clima; e lançar fontes de financiamento inovadoras, além de estabelecer um preço para o carbono.

O presidente francês disse ainda que continuará dialogando com o presidente russo, Vladimir Putin, para obter "progressos" na crise ucraniana. "Havendo progressos, as sanções contra a Rússia devem ser suspensas", defendeu Hollande. 

Por outro lado, Hollande rejeitou uma aliança com o Irã e a Síria para combater os jihadistas do grupo Estado Islâmico. "Quando você começa a fazer alianças com o diabo, é raro que o bom Deus venha ajudar depois", disse Hollande. Sobre uma nova intervenção na Líbia, o socialista afirmou que esta "é uma responsabilidade da comunidade internacional".

Hollande confirmou a abertura de uma nova base militar avançada no Níger, na fronteira com a Líbia, que servirá para atacar os jihadistas "cada vez que eles saírem de seus esconderijos". Uma imensa área desértica no sul da Líbia tornou-se um refúgio privilegiado de grupos armados africanos. 

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