França/Terrorismo

Terroristas mortos na França eram ligados à Al-Qaeda e ao grupo EI

Operação policial na Porte de Vincennes
Operação policial na Porte de Vincennes RFI/Tieng Viet

Os terroristas mortos na dupla operação policial nesta sexta-feira em Paris contataram o canal francês BFMTV por telefone durante o período em que estiveram cercados pelas forças especiais. Nas conversas telefônicas com jornalistas, Chérif Kouachi, um dos dois irmãos acusados de realizar o atentado contra o jornal Charlie Hebdo na última quarta-feira, afirmou ter sido enviado pela Al-Qaeda do Iêmen - considerada o braço mais perigoso do grupo extremista.

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Já Amedy Coulibaly, autor do ataque à mercearia judaica, disse que havia sincronizado a sua ação com o ataque ao jornal e que fazia parte do grupo Estado Islâmico.

Chérif afirmou ainda ter passado um temporada no Iêmen em 2011 e ter sido financiado pelo islamista Anwar al-Aulaqi, morto por um drone norte-americano no mesmo ano. Após o massacre na redação do Charlie Hebdo, um dos irmãos já havia dito a um motorista, durante a fuga: "Diga que somos da Al-Qaeda do Iêmen".

Segundo fontes de segurança iemenitas, a presença de um dos irmãos Kouachi foi registrada em diferentes momentos entre 2009 e 2013 - primeiro como estudante, depois em campos de treinamento no sul e no sudeste do país. Ele frequentou a universidade al-Imane, dirigida pelo fundamentalista Abdel Majid al-Zindani, que figura em uma lista negra dos Estados Unidos. Esse estabelecimento e outros institutos privados de Sanaa serviam de cobertura para as redes extremistas sunitas para atrair aprendizes jihadistas dos quatro cantos do mundo.

François Hollande pede união

O presidente francês François Hollande, em pronunciamento às 20h na televisão, pediu união, vigilância e mobilização da população após os ataques terroristas. O primeiro-ministro, Manuel Valls, reconheceu que, com uma cifra de "17 mortos" em três dias, há falhas no dispositivo de vigilância de pessoas suscetíveis de cometer atentados. "Há uma falha bastante evidente", disse Valls ao canal BFMTV, lembrando as "centenas de indivíduos que vão à Síria ou ao Iraque", onde são "formados em terrorismo" e que alguns "voltam".

Operação policial

Uma operação das forças especiais da polícia nesta sexta-feira resultou na morte dos dois suspeitos do atentado contra o jornal Charlie Hebdo, que deixou 12 pessoas mortas na quarta-feira em Paris.
Os irmãos Saïd e Chérif Kouachi foram cercados nesta manhã em uma gráfica na cidade de Dammartin-en-Goële, a quarenta minutos de Paris. Por volta das 17h, eles saíram do edifício atirando suas Kalachnikovs contra os policiais, quando foram abatidos. Eles mantinham como refém um homem de 26 anos, que saiu ileso.

Os dois estavam foragidos desde o ataque ao jornal. Eles haviam sido reconhecidos em um posto de gasolina na própria quarta-feira, o que levou a polícia a localizá-los. Os terroristas ficaram entricheirados na gráfica durante todo o dia.

Simultaneamente, uma outra operação policial invadiu a merceria judaica em Porte de Vincennes (leste de Paris), onde o criminoso Ahmedi Coullibaly abriu fogo, matou três pessoas e fez cinco reféns. A operação resultou na morte do criminoso e de uma outra pessoa, possivelmente um cúmplice. Quatro pessoas estão gravemente feridas.

Dois policiais também ficaram feridos durante a ação e, segundo as informações, não correm risco de morte. Ahmedi já havia matado uma policial na quinta-feira em Montrouge, no sul da capital francesa. A mulher que estava com ele durante esse tiroteio está sendo procurada pela polícia.

Paris foi alvo de três ataques nos últimos dias, que estão provavelmente ligados, segundo o ministério do Interior. O ataque em Vincennes provocou o fechamento de todos os acessos a marginais e a paralisação temporária do metrô e bondes na região.

Amedy Coulibaly conhecia um dos irmãos que atacou o jornal Charlie Hebdo. Durante a ação, houve rumores de que ele teria ameaçado matar os reféns, entre eles mulheres e crianças, caso Saïd e Chérif Kouachi não fossem liberados.

 

 

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