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França/ julgamento

Strauss-Kahn nega saber que participantes de orgias eram prostitutas

Festas aconteciam no hotel Carlton de Lille, com a participação de pessoas influentes da região norte da França.
Festas aconteciam no hotel Carlton de Lille, com a participação de pessoas influentes da região norte da França. REUTERS/Pascal Rossignol
Texto por: RFI
4 min

O ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn negou nesta terça-feira (10) ter cometido qualquer crime relacionado a proxenetismo, no primeiro dia de depoimentos à Justiça francesa no processo em que ele é acusado de fazer parte de uma rede de prostituição. DSK, como é conhecido no país, disse que não sabia da presença de prostitutas nas orgias das quais ele participava, com um grupo de amigos.

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“Eu não me considero de maneira alguma um organizador dessas festas”, afirmou Strauss-Kahn, que era apontado como o favorito para vencer as eleições presidenciais na França em 2012. Em seu favor, DSK declarou “não gostar” de sexo pago, “porque prefere quando tudo é festa”.

A audiência aconteceu em um tribunal de Lille, cidade do norte do país onde ocorriam as noitadas. O ex-chefe do FMI insistiu na linha de defesa que adotou desde o início do caso - martelou que não sabia que as mulheres que participavam das festas eram pagas para fazer sexo com os presentes, entre eles várias personalidades locais. Ele sustenta que as mulheres eram chamadas e remuneradas por outras pessoas.

DSK também minimizou a frequência com que ocorriam os eventos. Ele afirma ter ido quatro vezes por ano a Lille para os encontros, que aconteceram durante dois anos.

No início da audiência, o tribunal leu uma carta escrita por Strauss-Kahn durante as investigações e entregue aos psicólogos forenses encarregados de analisar a sua personalidade. No texto, ele dizia que “não cometeu nenhum crime e nenhum delito”.

Prostituta relata encontro

Nesta terça, uma ex-prostituta deu um depoimento que pode ser favorável ao ex-diretor do Fundo Monetário. “Mounia” afirmou jamais ter falado sobre “dinheiro, tarifa ou qualquer coisa do gênero” com Strauss-Kahn durante um encontro ocorrido em um hotel de luxo em Paris. Ela disse ter sido contatada por um amigo de DSK, David Roquet, que também é réu no processo.

A ex-prostituta relatou que, na ocasião, teve uma relação sexual “brutal, mas consentida” com o ex-político. “O sorriso dele me marcou do início ao fim. Ele parecia estar feliz com o que estava fazendo”, contou.

Se for condenado por "proxenetismo com agravante de grupo organizado", Strauss-Kahn poderá pegar até 10 anos de prisão. O crime também prevê multa de até € 1,5 milhão de euros (R$ 4,7 milhões).

Carreira abalada

Antes do chamado “affaire Carlton de Lille”, Strauss-Kahn foi acusado de abuso sexual por uma camareira de hotel de Nova York. Neste caso, ele entrou em acordo com a vítima, Nafissatou Diallo, após as acusações serem retiradas.

DSK, que foi ministro de Finanças francês durante o governo socialista no final dos anos 1990, se tornou uma das mais influentes personalidades globais como chefe do Fundo Monetário Internacional. Sua carreira, no entanto, acabou em maio de 2011 quando o mundo assistiu ao vivo na TV as imagens dele algemado e sendo escoltado para custódia em Nova York após as acusações da camareira.

Depois de sua volta à França, Strauss-Kahn se separou da esposa jornalista, Anne Sinclair, conheceu uma nova parceira e seguiu a carreira no setor de investimento privado.
 

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