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França/Strauss-Kahn

Acusações contra DSK em escândalo sexual são retiradas

Dominique Strauss-Kahn pode ser absolvido após duas prostitutas terem retirado as acusações de proxenetismo.
Dominique Strauss-Kahn pode ser absolvido após duas prostitutas terem retirado as acusações de proxenetismo. REUTERS/Pascal Rossignol
Texto por: RFI
4 min

Duas prostitutas que acusavam Dominique Strauss-Kahn de participar de uma rede de proxenetismo se retiraram do caso nesta segunda-feira (16), alegando falta de provas. Uma das associações que processavam o ex-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) também abandonou a queixa. A reviravolta que marcou o início da terceira semana de audiências aumenta as chances de absolvição do economista francês.

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Apesar dos relatos emocionados e que chocaram muita gente pela riqueza de detalhes sobre os hábitos sexuais Strauss-Kahn, as duas prostitutas que testemunharam contra o economista na semana passada no tribunal de Lille, no norte da França, decidiram abandonar o processo. Jade e Mounia, que participaram de orgias com o ex-chefe do FMI, insistem que o acusado sabia que elas eram garotas de programa, mas não têm como provar a participação do francês na rede de proxenetismo. “Nós temos a convicção de que o senhor Strauss-Kahn tinha conhecimento total da condição de prostituta (das clientes), mas essa convicção não é suficiente para constituir uma infração”, declarou Gilles Maton, advogado de Jade e Mounia e de outras duas mulheres que fazem parte da acusação.

A associação Equipes de ação contra o proxenetismo também se retirou do processo. Sem dar mais detalhes sobre a decisão, David Lepidi, advogado do grupo, disse que “a lei do silêncio funcionou perfeitamente” para Strauss-Kahn.

Acusado disse que não pagava por prostitutas

DSK, como é conhecido na França o ex-chefe do FMI, é acusado de "proxenetismo com agravante de grupo organizado", ou seja, de ser um dos principais beneficiários e incentivador de festas libertinas na França e em Washington. No entanto, desde o início do julgamento, que conta com mais 13 réus, ele afirma que não sabia que as mulheres que participavam das orgias sexuais estavam sendo pagas.

O processo continua nesta terça-feira (17). No entanto, se no início do julgamento a hipótese de uma pena de dez anos de prisão chegou a ser cogitada, com a retirada de várias acusações, aumentam as chances de absolvição de Strauss-Kahn.

Ex-ministro de Finanças francês durante o governo socialista no final dos anos 1990, DSK chegou a ser cotado como principal candidato para as presidenciais de 2012. Sua carreira, no entanto, foi abalada em maio de 2011 ao ser acusado de ter estuprado a camareira de um hotel em Nova York. O processo foi arquivado, mais sua imagem ficou arranhada desde então e ele perdeu o seu cargo na direção do FMI. 

Caso suscitou debate sobre a prostituição

Para Emmanuel Daoud, advogado da associação Movimento do Ninho, o processo de Lille tem um lado positivo, pois expôs a situação dos trabalhadores do sexo e suscitou um debate sobre o assunto na França. O Senado francês se prepara para estudar, no mês de março, um projeto de lei penalizando os clientes das prostitutas.

“Esse não é apenas um processo sobre 14 acusados ou sobre o proxenetismo e a prostituição. Esse é um processo sobre nossa sociedade”, declarou Daoud, que representa a associação de luta contra as causas e as consequências do trabalho do sexo. Já para Maton, o caso deu visibilidade às prostitutas, que foram “levadas em consideração como pessoas”.

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