França

O morno debate da direita francesa

REUTERS/Martin Bureau

No centro do primeiro debate entre os sete candidatos às primárias do partido Os republicanos, com vista às eleições presidenciais de 2017, estiveram temas com economia e medidas para combater o terrorismo.

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O primeiro debate televisivo às primárias do partido Os Republicanos foi visto por mais de 5,6 milhões de espectadores. 

O debate ficou marcado por rivalidades entre candidatos; Jean-François Copé, François Fillon, Allain Juppé, Nathalie Kosciusko-Morizet, Bruno Le Maire, Jean-Frédéric Poisson e Nicolas Sarkozy.

Segundo três sondagens, o favoritismo depois do debate recaiu no antigo primeiro-ministro francês Alain Juppé que arriscou pouco; apresentou muito brevemente as propostas, manteve-se sorridente e evitou desacordos com os adversários. Uma estratégia prudente como o fez, em 2011, François Hollande.

O antigo Presidente Nicolas Sarkozy apresentou-se como uma "vítima" face à justiça francesa lembrando que " o meu cadastro, após trinta e sete anos de política, permanece limpo".

Nathalie Kosciusko-Morizet teve dificuldades em entrar e se impor no debate. A deputada de Essonne foi a única candidata a defender um imposto solidário aplicado a fortunas e ainda instaurar um rendimento universal.

Calmo, frio e preciso neste debate François Fillon manteve a sua imagem. O antigo primeiro-ministro apresentou um programa económico bastante liberal e não mostrou pudor em corrigir ideias propostas por Nicolas Sarkozy.

Do início ao fim, Bruno Le Maire tirou a gravata para se destacar dos outros candidatos. Le Maire começou por afirmar que de "quinquenato em quinquenato, a França cai sempre para mais baixo (...) se quiserem que assim continue têm tudo o que precisam nesta plateia".

Muito para trás nas sondagens, com certa de 2% de votos, está o antigo líder do partido Os Republicanos, Jean-François Copé, que nada tem a temer. A estratégia do Presidente da Câmara de Meaux parece ser atacar Nicolas Sarkozy ao traçar o balanço do antigo Presidente com promessas que não foram cumpridas em 2012.

Pareceu apagado neste debate, Jean-Frédéric Poisson que tinha aqui uma oportunidade para ganhar mais visibilidade não a agarrou. O deputado de Yvelines, sobretudo conhecido pelas defesas contra o casamento homossexual, não teve oportunidade de falar deste seu assunto favorito. Rodeado por antigos ministros e de um Presidente não se deixou impressionar, no fim referiu ter sido um debate "muito técnico e pouco político".

Segundo um artigo da revista semanal francesa l'OBS, os telespectadores que acompanharam o debate foram "verdadeiros heróis da resistência", uma resistência ao "tédio mortal" reforça a publicação. Duas horas e meia que se esperavam mais agitadas, "mas acabaram por parecer intermináveis".

 

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