França

Homenagem da França a ciganos perseguidos no regime de Vichy

Presidente François Hollande saúda sobreviventes ciganos do campo de internamento de Meutreuil-Bellay, no oeste da França.
Presidente François Hollande saúda sobreviventes ciganos do campo de internamento de Meutreuil-Bellay, no oeste da França. JEAN-SEBASTIEN EVRARD / AFP

O presidente francês, François Hollande, reconheceu, este sábado, a responsabilidade da da França, no internamento de milhares de ciganos durante a segunda guerra mundial, pelo regime de Vichy.

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O chefe de Estado, François Hollande, continua o trabalho de memória iniciado no começo do seu mandato, reconhecendo, estado sábado, 29 de outubro, a responsabilidade da República francesa, no internamento forçado de ciganos, durante a segunda guerra mundial, pelo regime de Vichy de Pétain, 1946.

O presidente francês, François Hollande, discursava durante uma visita ao antigo campo de internamento de Montreuil-Bellay , na região oeste de Maine-et-Loire, monumento histórico desde 2012, reconhecendo pela primeira vez, em nome da França, o sofrimento dos ciganos nómadas franceses.

"A República reconhece o sofrimento dos nómadas que foram internados neste campo e admite que a sua responsabilidade é grande neste drama."

Para o chefe de estado francês, durante esta cerimónia de homenagem, onde estavam presentes alguns sobreviventes, "um país, o nosso, engrandece sempre quando reconhece a sua História".

70 anos após a libertação dos últimos ciganos internados à força em campos de concentração, em França, os seus descendentes e associações, esperavam com emoção, um tal reconhecimento da República francesa dos seus sofrimentos.

"Era importante para nós ter este reconhecimento, porque foram milhares e milhares de famílias itinerantes", saudou, comovido, Fernand Delage, presidente da associação França Liberdade Viagem.

"Mais vale tarde do que nunca", sublinhou Lucien Violet, 69 anos e cujos pais foram internados no campo de Montreuil-Bellay, no oeste da França.

Esse campo de internamento de ciganos e gentes de viagem ou nómadas, era o maior dos 31 campos de internamento forçado geridos pelas autoridades do regime de Vichy, nos quais foram internados entre 6.000 e 6.500 nómadas.

De notar que o Estado deu o primeiro passo em direcção a este reconhecimento da participação da França no internamento familiar forçado de determinadas categorias de pessoas em julho de 2010.

O antigo secretário dos antigos combatentes, Hubert Falco, evocou então "um Dia nacional da memória das vítimas dos crimes racistas e antisemitas do Estado francês".

Do seu lado, o Presidente François Hollande, lançou esta política de reconhecimento da República no sofrimento de certas franjas da população durante o regime de Pétain, logo no início do seu mandato, primeiro com os harkis da Argélia e dos arménios.

João Matos sobre homenagem da França a ciganos internados durante regime de Vichy

 

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