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França

Islão divide imprensa da esquerda radical francesa

"Guerra aberta entre Charlie Hebdon que aqui denuncia o director do Médiapart, que não critica Ramadan suspeito de violação sexual
"Guerra aberta entre Charlie Hebdon que aqui denuncia o director do Médiapart, que não critica Ramadan suspeito de violação sexual Charlie Hebdo.
Texto por: João Matos
6 min

Guerra aberta entre 2 jornais da esquerda radical, Charlie Hebdo e Mediapart,  sobre o Islão, em particular. Charlie Hebdo, que ainda está de luto, com a perda dalguns dos seus jornalistas, no atentado jiadista de 2015, critica duramente o Islão, enquanto o Mediapart, do ex-trotskista director do jornal LE MONDE, denuncia a banalização de um discurso racista anti-muçulmano. 

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Esta guerra aberta entre o satírico, Charlie Hebdo e o on-line, Mediapart, fundado pelo ex-trotskista e ex-director do jornal LE MONDE, Edwy Plenel, é bem resumida, na frase, "que se esganem", do ex-primeiro ministro, Manuel Valls.

Efectivamente, o ex-socialista, Manuel Valls, numa entrevista à radio RMC, acusa o fundador do Mediapart, Edwy Plenel, de  "cumplicidade intelectual" com o terrorismo e de ter lançado um "apelo ao assassínio" contra Charlie Hebdo.

"Quero que eles fiquem pelo caminho, que se esganem e que sejam afastados do debate público", sublinhou, o ex-primeiro ministro socialista, sobre os 2 jornais.

Se certos responsáveis políticos concordam com Valls, outrou são mais severos, como David Cormand, que denunciou um espectáculo "patético" acusando a "diatribe pirómana" do ex-primeiro ministro socialista.

Por seu lado, o porta-voz do governo, Christophe Castaner, declarou à imprensa que o "Eliseu não se mistura com esta polémica de um deputado, mesmo que seja Manuel Valls, com todas as suas qualidades, e um jornal".

Mas, resumidamente, o que é que opõe o jornal satírico-político, Charlie Hebdo, e o jornal on-line, Mediapart?

O Islão, duma maneira geral, e em particular, a recente acusação de violação sexual, do polémico islamólogo, Tarik Ramadan.

Charlie Hebdo, sempre denunciou nas suas caricaturas, as religiões, e em particular, o Islão, e após o atentado de 2015, contra a sua redacção, de jiadistas, radicalizou-se, afirmando que continuará com essa linha editorial.

Mediapart, particularmente, o seu director-fundador, Edwy Plenel, ex-trotskista da esquerda, denunciou o discurso racista anti-muçulmano e depois dos atentados contra jornalistas do Charlie Hebdo, defendeu os muçulmanos.

Esta guerra piorou, quando Plenel, aceitou debater com o islamólogo, Tarik Ramadan, que no seu dizer é um "intelectual respeitável" e sem ambiguidades sobre o terrosimo.

Entretanto, Ramadan é acusado de violar algumas raparigas, e o director Mediapart, não reagiu condenando, provocando a ira no seio do Charlie Hebdo.

O jornal satítico, faz a sua primeira página, com uma caricatura do rosto de Edwy Plenel, legendada, "escândalo Ramadan, não sabíamos".

Mas Plenel, acusado de cumplicidade, por Charlie Hebdo, é apoiado, logo de seguida, com um abaixo-assinado de 130 intelectuais, conhecidos na praça, como o sociólogo, Edgar Morin, o geopolítico, Pascal Boniface ou o economista do bestseller "O Capital no século XXI", Thomas Piketty.

Estes intelectuais, escudam-se no princípio de presunção de inocência, para não condenar, o islamólogo, Ramadan, que ainda não foi julgado por nenhum tribunal e com quem já debateram, enquanto intelectual.

A ver vamos !

Islão, Violação sexual e Imprensa radical em França

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