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Para Le Monde, Rafale pode não ser mais o favorito do governo brasileiro

Foto-montagem do jornal Lemonde com manchete sobre "A venda ao Brasil dos aviões Rafale que está comprometida".
Foto-montagem do jornal Lemonde com manchete sobre "A venda ao Brasil dos aviões Rafale que está comprometida". RFI
Texto por: Adriana Moysés
3 min

O jornal Le Monde questiona se o adiamento anunciado pelo presidente Lula na decisão sobre a compra dos caças seria só uma questão de tempo ou um sinal de fracasso do projeto francês. A notícia é ruim para o fabricante Dassault, escreve Le Monde. Para o jornal, caso Dilma Rousseff abra uma nova licitação, o Rafale pode não ser mais o favorito. 

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Le Monde vê nessa concorrência entre o francês Rafale, o americano F18 e o sueco Gripen mais um sinal da incapacidade europeia de se unir para enfrentar a concorrência norte-americana tanto no mercado da aviação militar quanto civil.

Por um desentendimento entre os europeus para lançar um avião de combate em 1985, três caças diferentes saíram do papel, entre eles o Rafale e o Gripen, que hoje concorrem entre si na licitação brasileira. Nesse meio tempo, observa o jornal, a indústria norte-americana se reorganizou e lançou um grande programa de aviões de combate, financiado parcialmente por outros países europeus incapazes de desenvolver seus próprios aviões.

Le Monde estima que o projeto de venda dos caças ao Brasil ilustra o risco de desaparecimento da indústria europeia da Defesa. Na opinião do jornal, os europeus devem se unir para enfrentar a concorrência dos Estados Unidos e de novos atores que chegam ao mercado, como a China e a Índia.

Le Monde explica também que o francês Rafale sempre foi uma preferência política do presidente Lula. Por razões técnicas, os militares da Aeronáutica brasileira preferem o sueco Gripen, enquanto os pilotos da FAB acham o americano F18 tecnicamente superior.

O jornal também assinala que a competição acirrada entre os três concorrentes envolve outros interesses. Para os Estados Unidos, segundo Le Monde, trata-se de uma luta de influência na América Latina. Suécia e França disputam o futuro de suas respectivas indústrias de aviação de combate. Os americanos levam vantagem, na avaliação de Le Monde, por produzirem aviões em quantidade e constantemente modernizados. A concorrência torna-se ainda mais cruel num momento de redução dos orçamentos militares.
 

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