Japão/Nuclear

Capital japonesa registra níveis recorde de radiotividade

Autoridades japoneses garantem que os altos níveis de radiotividade não representam riscos para a população.
Autoridades japoneses garantem que os altos níveis de radiotividade não representam riscos para a população. Reuters

O norte de Tóquio registrou nesta quarta-feira taxas de radiotividade 300 vezes acima do normal. O governo afirma que não há riscos para a saúde dos habitantes, mas aconselha as pessoas que moram em um raio de 30 quilômetros da central nuclear Fukushima Daiichi a não saírem de suas casas.

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Depois de um novo tremor de 6 graus na escala Richter ser registrado ao leste da capital japonesa, a região norte de Tóquio amanheceu nesta quarta-feira com uma taxa de radioatividade 300 vezes superior à normal. As autoridades asseguram que estes níveis não causam riscos à saúde, mas a população começa a fazer estoques de alimentos ou a deixar a capital, temendo os efeitos da contaminação.

Nas cidades costeiras, o último balanço divulgado pelas autoridades afirma que o tsunami ocorrido na sexta-feira já provocou mais de 10 mil vítimas, entre mortos e desaparecidos. As buscas por sobreviventes continuam nesta quarta-feira.

Um novo incêndio, desta vez no reator 4, foi registrado durante a noite e controlado em meia hora. Uma das soluções que estão sendo experimentadas para conter a ameaça de contaminação nuclear é a dispersão, por helicóptero, de ácido bórico, que absorve nêutrons e permite de limitar as reações químicas no caso de um vazamento de material radioativo. No entanto, as altas taxas de radioatividade estão impedindo os helicópteros de se aproximar do local.

Já no reator 3, as televisões japonesas mostraram uma coluna de fumaça branca sendo expelida pela estrutura. As autoridades do país continuam as operações de resfriamento dos reatores 1, 2 e 3, além das tentativas de refrescar o combustível usado e armazenado nas piscinas das estruturas 5 e 6, onde temperaturas mais altas que o normal foram registradas nesta noite.

Imperador japonês se exprime sobre a situação

Nesta quarta-feira, o imperador japonês Akihito se manifestou pela primeira vez sobre a tragédia. O líder, que raramente fala à população, disse, em pronunciamento à televisão, que está "profundamente preocupado" com as consequências imprevisíveis dos vazamentos nucleares.

Hoje, a imprensa japonesa noticia que 70% das barras de combustível do reator 1 e 33% das do reator 2 foram danificadas com os tremores de terra. O governo aconselha as pessoas que moram em um raio de 30 quilômetros da central nuclear a não saírem de suas casas. Mais de 200 mil habitantes já foram retirados.
 

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