Desastre nuclear do Japão centraliza imprensa francesa

RFI

A catástrofe nuclear no Japão é analisada sob todos os ângulos, em diversos suplementos especiais publicados pela maioria dos jornais franceses desta quarta-feira.

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"Japão, a espiral infernal" é a manchete do diário de direita Le Figaro, ilustrada pela foto de um bebê passando por um controle de radioatividade. Em cinco páginas, são relatados os últimos acidentes na central nuclear Fukushima 1, a forte alta da radioatividade em torno da área e uma reportagem em Minami Sanriku que foi, um dia, um charmoso vilarejo pesqueiro até chegar o maldito tsunami.
Dos 17 mil habitantes, oito mil estão desaparecidos e os outros repartidos por 25 refúgios nos arredores. Não sobrou nada, ou quase nada: ironicamente, ficou intacta uma pintura em um dique com os dizeres: "Vamos proteger juntos o belo mar azul".

"Pânico nuclear", anuncia Libération, de esquerda, que lembra que o Japão se prepara para o inimaginável, com a central de Fukushima fora de controle.
O drama provocou uma onde de choque que atravessa os continentes, diz o jornal, mergulhando nas explicações sobre a nuvem radioativa: quais seus componentes (gases e poeira), como ela circula (na atmosfera) aonde (vai depender da velocidade e direção dos ventos).
Esta nuvem pode dar a volta ao mundo? Prematuro dizer que sim, observa um especialista em radioatividade, lembrando que os ventos observados não ultrapassam os 30km/h.
Libération também publica um dossiê sobre as consequências da radioatividade sobre a saúde: a lista é trágica e inclui destruição dos glóbulos brancos, diversos tipos de câncer e outros diagnósticos gravíssimos.

O diário econômico Les Echos publica um caderno especial sobre o Japão, intitulado "A Batalha de Fukushima".
Em uma página dupla são respondidas as oito perguntas que todos gostariam de fazer: Qual é a situação hoje, porque as centrais explodiram, qual a amplitude das nuvens radioativas, quais os riscos para a saúde, o que fazem exatamente os 50 técnicos que ficaram na central, houve ou não negligência por parte do governo japonês, é possível se comparar esta tragédia com a de Tchernobyl e, finalmente, essa catástrofe poderia ocorrer na França, um dia?

E como é um jornal econômico, Les Echos analisa que a produção automobilística francesa está parada, a indústria eletrônica afetada, os mercados financeiros mundiais em forte turbulência. A queda dos preços é geral: metais, petróleo, cereais e até o ouro não escaparam do cataclisma.

Terminando a leitura, o católico La Croix publica um mapa da Europa com a descrição do número de usinas em serviço, ou seja, a maioria, com excessão da Itália, que fechou quatro reatores. A França é campeã, com 58 centrais responsáveis por 80% do fornecimento de energia elétrica no país.
 

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