Líbia/ ONU

Conselho de Segurança vota hoje projeto de resolução sobre a Líbia

Tobruk, dominada por rebeldes, está na mira das forças do ditador Kadafi.
Tobruk, dominada por rebeldes, está na mira das forças do ditador Kadafi. RFI/Manu Pochez

O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve votar nesta quinta-feira um projeto de resolução que prevê novas sanções à Líbia e a criação de uma zona de exclusão aérea no país para evitar novos bombardeios das forças leais ao coronel Muammar Kadafi contra os rebeldes que pedem sua saída do poder.

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Os países que compõem o Conselho de Segurança teriam chegado a um acordo após uma maratona de sete horas de discussão e de muita pressão feita pela França.

A proposta é de autoria da França, da Grã-Bretanha e do Líbano. O chefe da diplomacia francesa, Alain Juppé, anunciou hoje que viajará a Nova York para participar da reunião e “obter o mais rápido possível” o voto da resolução. “O fim das violências contra as populações é um problema prioritário para a França”, afirmou um comunicado do Quai d’Orsay, o Ministério das Relações Exteriores francês.

“O projeto que nós distribuímos aos membros do Conselho de Segurança exige o cessar fogo imediato na Líbia e autoriza os Estados a tomar as medidas necessárias para proteger as populações civis ameaçadas, em particular em Benghazi”, diz o texto, acrescentando que o projeto de resolução atende às expectativas da Liga Árabe e exclui qualquer ocupação no país. Entrevistado, o ministro não detalhou que países árabes estão de acordo com a proposta franco-britânica.

O Conselho de Segurança da ONU tem 15 membros, dos quais cinco são permanentes (Estados Unidos, China, Rússia, Grã-Bretanha e França) e têm direito a veto. É preciso nove votos para que uma resolução seja adotada sem o uso do veto. A China e a Rússia vêm demonstrando resistência a uma reação militar contra Kadafi.

Na quarta-feira, o presidente francês Nicolas Sarkozy havia enviado uma carta cobrando a responsabilidade de cada um de seus parceiros da ONU para impedir o avanço das tropas do ditador para sufocar a revolta popular.

O embaixador adjunto da Líbia na ONU, Ibrahim Dabbachi, que se opõe ao regime, alertou que se a comunidade internacional não agir rápido, ele disse temer por um genocídio. O secretário geral da ONU, Ban Ki Moon, pediu o fim da violência na Líbia e alertou que as mortes de civis constituem um "crime contra a humanidade" e os responsáveis poderão ser levados à justiça.

Já o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que espera que "quanto mais cedo a ONU chegar a um acordo" sobre a Líbia, "melhor vai ser" a fim de "evitar uma vitória inaceitável" de Kadafi nos combates no próprio país. Ele considera que os ataques contra os civis, promovidos pelo ditador, poderão ser julgados como crimes contra a humanidade, e que "nunca é tarde demais" para agir". "Não posso imaginar a comunidade internacional e as Nações Unidas ficarem sem fazer nada se o regime líbio continuar atacando a sua própria população", afirmou Rasmussen.

Kadafi às portas das cidades controladas por insurgentes

Enquanto o mundo tem os olhos voltados para o Japão, o coronel Muammar Kadafi mantém sua ofensiva par sufocar a revolta popular que tenta derrubá-lo do poder. Combates entre forças leais ao ditador e insurgentes nas proximidades da cidade líbia de Ajdabiya mataram pelo menos 30 mulheres, crianças e idosos, de acordo com informações divulgadas pelo canal Al Arabia. Uma testemunha afirma ter visto os corpos em um hospital e que não havia rebeldes entre as vítimas.

Ajdabiya vem sendo palco de conflitos nos últimos dias por representar um ponto estratégico antes de Tobruk e de Benghazi, considerada a capital dos rebeldes na Líbia. Os rebeldes conseguiram abater dois aviões das forças de Kadafi que tentavam bombardear Benghazi, onde a situação estava calma nesta quinta-feira.

A televisão estatal do país anunciou hoje que o governo havia retomado o controle de Misrata, outra importante localidade que está sob o poder de insurgentes contra o regime, a 200 quilômetros da capital, Trípoli. Os rebeldes, no entanto, negam a informação e afirmam que continuam no comando da cidade. Ontem à noite, Kadafi havia dito que hoje seria o dia da “batalha decisiva” por Misrata, a terceira cidade mais importante da Líbia.
 

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