Líbia/ONU

Brasil se absteve na votação sobre intervenção na Líbia

Reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre intervenção na Líbia.
Reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre intervenção na Líbia. REUTERS/ Joshua Lott

Dos 15 países membros do Conselho de Segurança da ONU, dez votaram a favor da resolução por uma intervenção na Líbia e cinco se abstiveram - Brasil, China, Rússia, Alemanha e Índia. A resolução da ONU criou uma zona de exclusão aérea destinada a impedir que os aviões de Kadafi continuem lançando bombas sobre os opositores. O texto autoriza ataques aéreos para neutralizar os avanços da artilharia pesada por terra e destruir as baterias anti-aéreas do ditador, mas deixa claro que não haverá ocupação militar.

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Apesar de ser solidário com todos os movimentos da região, o governo brasileiro também não aprova o uso da força na Líbia. Em nota, o Itamaraty afirma não acreditar que a intervenção vá colocar fim à violência e efetuar a proteção dos civis.

"Nosso voto não deve de maneira alguma ser interpretado como endosso do comportamento das autoridades líbias ou como negligência para com a necessidade de proteger a população civil e respeitarem-se os seus direitos", disse a embaixadora Maria Luisa Viotti, representante permanente do Brasil junto à ONU, na sessão do Conselho.

O Brasil também expressou solidariedade com os movimentos da região e condenou o desrepeitou das autoridades líbias "com suas obrigações à luz do direito humanitário internacional e dos direitos humanos", de acordo com a nota do Itamaraty.

Como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, a China poderia ter utilizado seu direito de veto, mas optou pela abstenção salientando que é contra a abordagem militar nas relações internacionais. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês expressou nesta sexta-feira "sérias reservas" de Pequim quanto ao uso da força contra as tropas de Kadafi.

A decisão do Conselho de autorizar uma intervenção militar na Líbia é considerada uma vitória da diplomacia francesa, muito criticada por sua atuação pouco transparente durante a revolta popular que derrubou os ditadores da Tunísia, Ben Ali, e do Egito, Hosni Mubarak.

A França, com o apoio da Grã-Bretanha, conseguiu convencer a maioria de seus aliados no Conselho de Segurança a usar a força contra o regime de Kadafi. As duas principais potências militares européias deverão agir e o papel dos Estados Unidos, que demorou ao apoiar a opção de intervenção militar defendida pelos franceses e britânicos, ainda está indefinido.

A iniciativa inicial do governo francês era forçar o ditador Kadafi a renunciar ao cargo e reconhecer imediatamente o Conselho Nacional de Transição, de oposição ao ditador, como representante legítimo do povo líbio. A opção de intervenção militar levou vários dias a ser analisada diante das reservas emitidas por vários países, entre eles a Alemanha.

“Nós continuamos eminentemente céticos em relação à opção militar prevista nesta resolução (da ONU). Nós avaliamos que ela comporta riscos e perigos consideráveis”, declarou o chanceler alemão Guido Westerwelle.

 

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