Líbia/Crise

Comunidade Internacional reage com cautela o cessar-fogo da Líbia

Rebeldes recarregam munição na fronteira com o Egito.
Rebeldes recarregam munição na fronteira com o Egito. AFP/Patrick Baz

O governo líbio anunciou nesta sexta-feira o fim de todas as operações militares no país em aplicação à resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU que autorizou uma intervenção militar contra o regime do coronel Kadafi. O anúncio foi recebido com ceticismo pela oposição líbia e pela comunidade internacional que se mobiliza para pressionar o ditador líbio a deixar o poder. 

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A Líbia "decidiu estabelecer imediatamente un cessar-fogo e de por um fim a todas as operações militares", declarou o ministro líbio das Relações Exteriores, Moussa Koussa, durante um entrevista coletiva em Trípoli. Ele afirmou que seu país, sendo membro integrante das Nações Unidas, era "obrigado a aceitar a resolução do Conselho de Segurança".

Na noite de quarta-feira o Conselho de Segurança da ONU adotou uma resolução prevendo o uso da força contra o regime do coronel Kadafi, após mais de um mês de revolta popular reprimida com violência.

A resolução pede um cessar-fogo imediato e o fim total da violência e de todos os ataques contra os civis. Caso contrário, a resolução autoriza "todas as medidas necessárias" para proteger os civis e impor um cessar-fogo às forças líbias. O documento prevê também a criação de uma zona de exclusão aérea, mas deixa claro que não se trata de uma ocupação militar.

Repercussão

O líder dos rebeldes líbios, Khalifa Heftir, afirmou que o anúncio do governo líbio é um "blefe" do ditador. "O mundo inteiro sabe que o coronel Kadafi é um mentiroso. Ele, seus filhos, seus familiares e todos ao seu redor são mentirosos", afirmou.

A comunidade internacional reagiu com ceticismo ao anúncio do governo líbio. A chefe da diplomacia do bloco europeu, Catherine Ashton, reagiu dizendo que a União Europeia vai analisar os detalhes do anúncio de cessar-fogo e vai questionar o seu "significado".

O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero disse que a comunidade internacional não vai se deixar enganar pelo governo líbio e vai verificar o nível de respeito da Líbia pela resolução adotada pela ONU.

Nos Estados Unidos, a secretária de estado Hillary Clinton pediu que Kadafi abandone o poder e pediu ações concretas. "Tomamos conhecimento pela imprensa do anúncio do cessar-fogo", declarou Hillary Clinton a um grupo de jornalistas em Washington. "A situação evolui rapidamente. Não vamos nos deixar impressionar por palavras. Precisamos ver ações no terreno", afirmou.

Fuga

As agências humanitárias não sabem avaliar o impacto de uma eventual criação de uma zona de exclusão aérea, conforme previsto na resolução da ONU. Entre 1.500 e 2.500 pessoas fogem da Líbia todos os dias, segundo estimativas da ONU.

"Impor uma zona e exclusão aérea tem enormes repercussões, suscetíveis de ter um impacto sobre as fronteiras leste e oeste", declarou Andrew Harper, coordenador para a Líbia do Alto Comissariado da ONU para os refugiados (HCR).

"Se há uma estratégia a adotar, é de ser extremamente flexível e de se preparar para o pior dos cenários", disse Harper, em referência a um fechamento por parte da Tunísia e do Egito de suas fronteiras.

Cerca de 300 mil pessoas já fugiram da violência na Líbia , segundo a HCR. "Trata-se de uma das maiores evacuações humanitárias da história", declarou William Lacy Swing, diretor geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), citado em um comunicado.

 

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