Iêmen/Protestos

Chefes do exército e diplomatas do Iêmen se unem aos opositores

Protestos continuam tomando as ruas do Iêmen contra o regime do presidente Saleh.
Protestos continuam tomando as ruas do Iêmen contra o regime do presidente Saleh. Reuters

Os chefes do exército do Iêmen anunciaram nesta segunda-feira que não apóiam mais o presidente Ali Abdallah Saleh e se unem à oposição. Os embaixadores iemenitas na Arábia Saudita e no Kuwait também aderiram aos protestos e representantes do país na Europa ameaçam pedir demissão. A França pediu oficialmente a saída de Saleh e se torna assim o primeiro país ocidental a solicitar abertamente o fim do regime que dura mais de 30 anos no país.

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Enquanto o presidente Ali Abdallah Saleh continua alegando contar com o apoio da população, seus partidários o abandonam aos poucos. Nesta segunda-feira os generais Ali Mohsen al-Ahmar e Mohammed Ali Mohsen, chefes do exército no país, confirmaram que vão se unir à oposição. Outros dois generais já haviam anunciado seu apoio aos opositores.

O presidente Saleh também vem perdendo a adesão de membros de sua diplomacia. Nesta segunda-feira os embaixadores do Iêmen na Arábia Saudita e no Kuwait, Mohammad Ali al Ahwal e o xeque Khaled Rajeh, respectivamente, se declararam contra o regime em vigor. "Anuncio meu apoio à revolução dos jovens e à mudança no Iêmen", declarou Al Ahwal. Já Rajeh diz aderir ao movimento de contestação em razão das “práticas sangrentas contra os manifestantes”. Os representantes da diplomacia iemenita em Paris, Bruxelas, Genebra, Berlim e Londres também ameaçam pedir demissão se a violência não diminuir no país.

O anúncio dos embaixadores foi feito pouco depois da renúncia de Ahmad Qaatabi, governador de Aden, a segunda maior cidade do Iêmen. Ainda nesta segunda-feira Sadek al-Ahmar, um dos principais chefes tribais do país, pediu novamente que o presidente Saleh, há 32 anos no poder, deixe seu cargo.

França pede saída do presidente Saleh

Paris pediu oficialmente nesta segunda-feira a saída do presidente do Ali Abdallah Saleh. A França se torna assim o primeiro país ocidental a solicitar abertamente o fim do regime que dura mais de 30 anos no país. “A saída do presidente Saleh é incontornável”, declarou ministro francês das Relações Exteriores Alain Juppé.

O chefe da diplomacia confirmou que a França dará seu apoio “à todos que lutam pela democracia” sem violência e denunciou os “regimes gastos pela corrupção, a prática ditatorial e a longevidade excessiva do poder”.
 

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