França e Estados Unidos divergem ao descrever papel da OTAN no conflito na Líbia

Um soldado líbio perto de um veículo que foi alvo dos bombardeios das forças aliadas em uma base militar de Trípoli, 22 de março 2011.
Um soldado líbio perto de um veículo que foi alvo dos bombardeios das forças aliadas em uma base militar de Trípoli, 22 de março 2011. REUTERS/Zohra Bensemra

Os principais jornais franceses desta quarta-feira, 23 de março, destacam que americanos e europeus encontraram um acordo sobre o papel da OTAN na intervenção militar na Líbia. Os jornais notam que França e Estados Unidos divergem ao descrever papel da OTAN no conflito na Líbia.

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De acordo com o diário conservador Le Figaro, a Casa Branca entende que a OTAN desempenhará um "papel chave" na missão, enquanto a França fala num mero "apoio" da Aliança Atlântica. Le Figaro destaca um comentário do ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, que disse que "a intervenção na Líbia é conduzida por uma coalizão e não é portanto uma operação da OTAN". O jornal assinala que a crise na Líbia é "uma experiência de laboratório", pois pela primeira vez ao longo de décadas os Estados Unidos se preparam para transferir o comando das operações aos europeus.

"No quarto dia da operação Aurora da Odisseia", escreve Le Figaro, a coalizão internacional está diante de um impasse estratégico. Para Le Figaro, o fato de a resolução 1973 da ONU ter autorizado exclusivamente o uso da força aérea contra as tropas de Kadafi limita os resultados da missão. Prova é que o presidente americano, Barack Obama, anunciou ontem uma redução no número de bombardeios. Para Le Figaro, a intervenção militar da coalizão corre o risco de fracassar porque os insurgentes continuam insuficientemente armados e as forças pró-Kadafi resistem.

Les Echos também considera que as coisas começam a se complicar para a coalizão. Segundo o jornal, o recurso à força aérea tem os seus limites, e os pilotos dos aviões de caça são os primeiros a sentir as consequências dessa abordagem sem o apoio de forças terrestres. O coronel francês Thierry Burkhard declara nas páginas de Les Echos que é extremamente complexo para os pilotos distinguir os civis entre os alvos de Kadafi. Por isso, os Estados Unidos e a França teriam se visto obrigados a acertar um acordo sobre as modalidades de utilização do comando da OTAN nas operações da coalizão internacional. Les Echos lembra que os Estados Unidos não querem de maneira alguma participar de um conflito sem fim.

O jornal Libération tenta fazer as contas de quanto vai custar a intervenção militar na Líbia aos cofres franceses. Num momento em que a população sofre com cortes de orçamento na área social, a implantação de uma zona de exclusão aérea na Líbia poderia custar de 150 a 250 milhões de euros por ano à França.
 

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