Líbia/Guerra

Ataques continuam entre forças pró-Kadafi e coalizão internacional

UM "check point" do exército líbio, visto de um ônibus entre Trípoli e Bani Walid, no sul da capital, em  23 de março de 2011.
UM "check point" do exército líbio, visto de um ônibus entre Trípoli e Bani Walid, no sul da capital, em 23 de março de 2011. REUTERS/Zohra Bensemra

A coalizão internacional lançou novos ataques contra bases militares e tanques do exército líbio em Trípoli e arredores da capital. Confrontos violentos também acontecem por terra, envolvendo as forças leais ao coronel Muammar Kadafi e os insurgentes nas regiões de Misrata e Adjabiya, no leste do país, e nos arredores de Zenten, à oeste. Há informação de dezenas de mortos, entre eles, cinco crianças.

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Pela quinta noite consecutiva, aviões de combate da coalizão liderada pelos Estados Unidos, a França e a Grã-Bretanha bombardearam alvos estratégicos, mas não conseguiram impedir as forças terrestres pró-Kadafi de atacar diversas cidades tomadas pelos insurgentes, obrigados a partir com seus tanques de uma importante avenida da cidade de Ajdabyia.

Os tanques do exército líbio voltaram a atacar durante a noite Misrata, terceira cidade mais importante do país, 200 km a leste de Trípoli, tomada pelos opositores. Os bombardeios teriam atingido o principal hospital da cidade, segundo testemunhas.

Atiradores de elite leais a Kadafi também fazem emboscadas em Misrata, semeando o terror entre os habitantes. O porta-voz dos insurgentes declarou que eles mataram16 pessoas.

Do lado das operações militares internacionais, a coalizão declara que cumpriu a missão de impor uma zona de exclusão aérea sobre as regiões costeiras líbias e que o alvo agora são os tanques de Kadafi. Os aviões teriam realizado 175 voos em 24 horas, dos quais 113 por aviões americanos.

"Nós vamos continuar os ataques aéreos sobre alvos militares na Líbia , alvos militares e nada mais." Esta foi a declaração, na manhã desta quinta-feira, do ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, que chamou Muammar Kadafi de "ditador louco" e afirmou que as operações não serão longas.

OTAN

Enquanto na Líbia os combates são cada vez mais violentos, os 28 estados-membros da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) continuam divididos sobre o comando da ofensiva, hoje nas mãos dos Estados Unidos. Mesmo com seus navios vigiando o cumprimento do embargo de armas ao país, na região costeira, a Aliança Atlântica não chegou a uma definição sobre o seu papel na coalizão.

Depois de três dias de discussões em Bruxelas, nenhum acordo claro foi obtido. A Turquia, estado-membro de maioria muçulmana, vem sendo apontada como responsável pelo impasse nos debates. O país é contra a OTAN assumir a responsabilidade de ataques que possam causar vítimas civis e também não quer ver a Aliança liderar o mandado da ONU para a instauração de uma zona de exclusão aérea na Líbia.

Os Estados Unidos tentaram passar a direção das operações para a OTAN, sem sucesso, até o momento. Sobrecarregados por duas guerras, no Iraque e no Afeganistão, os americanos não querem arcar com mais um compromisso bélico. O presidente Barack Obama tem sido alvo de críticas constantes diante das incertezas dos resultados da intervenção na Líbia e os custos desta nova operação militar.

Os americanos foram obrigados até o momento a “tomar a dianteira mais do que gostariam” na coalizão, especialmente em relação ao controle da coordenação das primeiras operações, de acordo com fontes diplomáticas ouvidas pela agência de notícias AFP. 

Essas fontes disseram ainda que a estrutura do comando da OTAN para a missão na Líbia, que inclui a ocupação da zona de exclusão aérea e o embargo marítimo, estaria pronta. As operações navais seriam realizadas a partir de Nápoles, no sul da Itália, e a seqüência das intervenções aéreas seriam baseadas em Poggio Renatico, no norte do país.

A supervisão global seria controlada pelo quartel-general das potências aliadas na Bélgica enquanto que a supervisão das missões aéreas seria confiada à base de Iztmir, na Turquia. Este último ponto ainda não estaria completamente concluído devido à oposição da Turquia em dar à OTAN o sinal verde para a aliança militar iniciar a intervenção na zona de exclusão aérea.

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