Japão/Acidente Nuclear

Presidente da Tepco desaparece misteriosamente

Diariamente, os funcionários da Tepco são submetidos a testes de radiação na usina que ainda tem problemas de falta de eletricidade.
Diariamente, os funcionários da Tepco são submetidos a testes de radiação na usina que ainda tem problemas de falta de eletricidade. Reuters

O jornal francês Libération questiona em sua edição desta sexta-feira o sumiço do presidente da Tepco, empresa que opera as duas centrais nucleares de Fukushima, no Japão. Desde 13 de março, dois dias após o tsunami que provocou o acidente nuclear, Masataka Shimizu não foi visto mais em público. Desde então, é o vice-presidente da empresa, Norio Tsuzumi, que faz os pronunciamentos. Onde estaria Masataka Shimizu?

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Cresce o mistério no Japão em torno do sumiço de Masataka Shimizu, presidente da Tokyo Electric Power Co (Tepco), empresa que opera as usinas nucleares de Fukushima. O executivo não foi mais visto desde 13 de março, dois dias depois do terremoto seguido de tsunami que abalaram o Japão. Nesse dia, após uma explosão na estrutura de confinamento do reator 3, Shimizu e seus vice-presidentes anunciaram que a Tepco deveria racionar a energia distribuída na região, o que atingiria 28,6 milhões de seus clientes.

Desde então ele desapareceu da mídia. Nem no bairro em que mora, nem em seu apartamento, que fica no topo de um prédio e resistiu à catástrofe, ninguém mais teve notícias de Shimizu. No dia 19 de março, um comunicado lacônico assinado em nome de Shimizu declarava seu "pesar por todos os problemas causados".

As dúvidas sobre o destino do executivo se acumulam. A Tepco teria desligado Shimizu de suas funções? Ele não teria aguentado a pressão? Será que ele escreveu o comunicado ou foi uma estratégia da empresa para ocultar seu sumiço? Há quem diga que ele simplesmente fugiu, numa atitude irresponsável.

A Agência Internacional de Energia Atômica tem criticado a falta de informações provenientes da Tepco e do governo japonês sobre o acidente nuclear em Fukushima. Os japoneses também estão revoltados com as denúncias de corrupção e de maquiagem de relatórios da empresa.

Tradição japonesa

No caso de problemas ou falhas de uma grande empresa, o presidente deve se pronunciar solenemente implorando perdão. Faz parte das tradições japonesas. Porém, no caso da Tepco, essa tarefa coube ao vice-presidente Norio Tsuzumi. Na terça-feira, o vice lamentou o momento difícil que os japoneses estão vivendo. "Sinto muito, sinceramente. A Tepco provocou ansiedade e incômodo aos habitantes que vivem ao redor das centrais, da prefeitura de Fukushima e do país", declarou Tsuzumi.

Fundado em 1951, o grupo Tepco é o quarto produtor mundial de eletricidade e realizou um faturamento de 40 bilhões de euros no ano passado.

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