Líbia/Guerra

Insurgentes líbios avançam com rapidez em direção a Sirte e Trípoli

Rebeldes instalam metralhadora em sua pick-up, perto da refinaria de Ras Lanuf, recuperada pelos insurgentes neste domingo.
Rebeldes instalam metralhadora em sua pick-up, perto da refinaria de Ras Lanuf, recuperada pelos insurgentes neste domingo. REUTERS/Andrew Winning

Os rebeldes líbios anunciaram, neste domingo, a retomada das cidades de Ben Jawad e Ras Lanuf. Ben Jawad, a 50 km de Ras Lanuf, é a posição mais avançada que a oposição já teve desde o início da insurreição contra o regime de Muammar Kadafi. As forças anti-regime aproveitam agora os bombardeios da coalizão para avançar em direção a Sirte, cidade natal de Kadafi.

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Depois de reconquistarem as cidades de Ajdabiyah e Brega neste fim de semana, com o apoio dos bombardeios da coalizão internacional, os insurgentes líbios recuperaram com facilidade neste domingo outras posições mais avançadas a oeste, como o terminal petrolífero de Ras Lanuf e a cidade de Ben Jawad.

Em poucas horas, os soldados de Kadafi deixaram tudo para trás em Ras Lanuf: caixotes repletos de munição, mísseis alinhados na areia e outros equipamentos de combate. Aviões da coalizão internacional bombardeiam intensamente a estrada que liga Ajdabiya a Sirte, a cidade natal de Kadafi, cuja conquista será um marco para os revolucionários antes da queda possível de Trípoli.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o secretário da Defesa, Robert Gates, disseram neste domingo em entrevista à rede de televisão CBS, nos Estados Unidos, que aliados de Kadafi estão abandonando o líder líbio, diante do sucesso da intervenção da coalizão liderada pelos Estados Unidos, a França e o Reino Unido. Segundo Hillary Clinton, vários diplomatas e chefes militares próximos de Kadafi estão mudando de campo por perceber que o regime vai acabar. 

A pedido do presidente Barack Obama, Clinton e Gates tentam convencer a opinião pública americana dos benefícios da intervenção na Líbia. Obama tem sido muito criticado por ter envolvido os Estados Unidos em mais um conflito militar considerado mal preparado pela oposição.

OTAN quer limitar bombardeios

Em uma reunião esta tarde em Bruxelas, os 28 embaixadores da OTAN decidem se a Aliança Atlântica vai assumir o comando global das operações militares na Líbia. A OTAN pretende reduzir significativamente os bombardeios aéreos nos próximos dias e privilegiar uma solução política para o conflito. Dezenas de países já confirmaram a participação em uma cúpula sobre a Líbia, marcada para terça-feira em Londres. 

A OTAN já assumiu o compromisso de controlar o embargo de armas à Líbia no mar Mediterrâneo e a zona de exclusão aérea, mas um ponto sensível ficou indefinido nas negociações: a coordenação dos ataques aéreos a alvos de Kadafi no solo. Os bombardeios têm sido feitos por aviões da coalizão internacional chefiada pelos Estados Unidos, a França e o Reino Unido.

Refugiados e feridos

A Turquia enviou hoje à Líbia um navio para resgatar e prestar assistência médica a cerca de 450 feridos nos combates. A embarcação segue para o porto de Misrata, controlado pelos rebeldes. A bordo estão uma equipe médica, duas ambulâncias e duas toneladas de remédios.

O primeiro navio transportando 300 refugiados africanos, que fugiram dos combates na Líbia, chegou na noite de sábado no sul da Itália. Os refugiados são em sua maioria originários da Eritreia e da Etiópia. Pelo menos 80 mulheres e 12 crianças estéao entre os passegeiros. 

Hoje, o papa Bento 16 pediu um cessar-fogo na Líbia e a abertura de diálogo. O governo italiano teme a chegada de 200 a 300 mil refugiados líbios na Itália caso se concretize a queda do regime de Muammar Kadafi.

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