Figaro diz que governo brasileiro foi "pego pela corrupção"

Reportagem sobre corrupção no Brasil é destaque do jornal francês Le Figaro desta quinta-feira 11 de agosto.
Reportagem sobre corrupção no Brasil é destaque do jornal francês Le Figaro desta quinta-feira 11 de agosto. RFI
Texto por: Lúcia Müzell
3 min

O jornal francês Le Figaro publica na sua edição de hoje uma reportagem sobre a onda de corrupção no governo da presidente Dilma Rousseff. Assinada pela correspondente do diário no Rio de Janeiro, a matéria afirma no título que "o governo brasileiro foi pego pela corrupção".

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O texto diz que "a três anos da organização da Copa do Mundo de futebol, para a qual o Brasil se prepara para receber milhares de visitantes estrangeiros, a polícia brasileira acaba de efetuar uma limpa no Ministério do Turismo", referindo-se ao esquema de corrupção descoberto pela Polícia Federal, que na terça-feira resultou na prisão de 38 pessoas ligadas à pasta.
O Figaro destaca que este foi o terceiro escândalo de desvios de dinheiro desmascarado desde o início do mandato de Dilma, em 1º de janeiro: nas semanas anteriores, os ministérios dos Transportes e da Agricultura foram os alvos, relata a reportagem. O diário ainda lembra que, em junho, foi a vez do ex-ministro da Casa Civil dar explicações sobre a multiplicação do seu patrimônio em 20 vezes "por um trabalho de lobby ocorrido enquanto ele dirigia a campanha de Dilma", afirma.
O jornal analisa que os "escândalos repetidos" evidenciam as falhas do sistema político do Brasil, no qual um partido eleito não consegue governar sozinho. Com poucos deputados federais e senadores, explica o Figaro, o Partido dos Trabalhadores é obrigado a formar alianças com "todo o tipo de partidos", que exigem altos cargos no governo em contrapartida. Por consequência, ressalta o texto, a base aliada recebe nas mãos "contratos suculentos" em pastas milionárias, ligadas principalmente à infraestrutura.
Mas a reportagem não é só feita de críticas: o jornal elogia a habilidade de Dilma, que, "diferentemente de seu predecessor, sabe cortar o mal pela raiz e demite os funcionários corruptos". Graças a isso e aos bons resultados na economia, lembra o texto, a presidente se mantém com boas taxas de popularidade junto ao eleitorado.
 

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