Imprensa critica rumores que amplificam tensões na economia

A bolsa de Paris oscila nesta sexta-feira, 12/08/2011.
A bolsa de Paris oscila nesta sexta-feira, 12/08/2011. Reuters
Texto por: Lúcia Müzell
3 min

Os editoriais dos principais jornais franceses fazem coro para criticar as especulações no mercado financeiro, que nesta semana escolheram a França como alvo e intensificaram os temores de um novo crash na economia mundial. A imprensa avalia que, embora as bolsas tenham voltado a subir, a situação permanece tensa: tudo porque o mundo das finanças parece surdo aos discursos dos governantes para garantir a estabilidade da economia.

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O diário econômico Les Echos constata que a França "está particularmente visada" pela especulação e que os "os rumores mais loucos continuavam correndo ontem nos escritórios de investimentos". Além disso, Les Echos lembra que, "se, em 2008, o Estado era a solução para a crise financeira mundial, agora ele é o problema".

Na avaliação do jornal católico La Croix, neste momento "os mercados revelam o quanto são um reflexo da psicologia humana, que frequentemente é mais sensível aos murmurinhos do que às palavras institucionais". Enquanto isso, o conservador Le Figaro avalia que "nada explica tais turbulências" entre os investidores. "Nada, a não ser a força da especulação, que nunca fica tão contente quanto nos momentos de instabilidade", afirma o texto.

O jornal considera que o contexto de incertezas sobre a crise na zona do euro, e em especial, na Grécia, não justifica que os bancos franceses sejam tratados desta forma pelos investidores. O jornal preocupa-se com o imobilismo das autoridades do mercado financeiro, que apesar de se declararem preocupadas com os abusos, não estão "agindo para evitar uma catástrofe".

Já o jornal Libération, ligado à esquerda, traz na capa uma reportagem especial sobre as agências de classificação de risco, chamadas de "triplo zero" pelo Libé, em referência à nota máxima atribuída pelas agências a países e instituições financeiras, o triplo A. No editorial, o jornal considera que elas são "profissionais do vago". "Admitir que essas agências falam a verdade é uma fábula, ou até mesmo uma fraude", diz o Libération. "Mais grave ainda é reconhecer nelas uma legitimidade ou dar-lhes tanta influência", lamenta o diário.
 

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