Acesso ao principal conteúdo
Imprensa

Advertência da agência Moody's à França domina as manchetes

A crise europeia e a possibilidade de rebaixamento da nota francesa pela agência Moody's é destaque nos jornais desta quarta-feira.
A crise europeia e a possibilidade de rebaixamento da nota francesa pela agência Moody's é destaque nos jornais desta quarta-feira. DR
Texto por: Adriana Moysés
3 min

A ameaça que paira sobre a França de perder a nota máxima de confiança, o famoso triplo Aaa, nas agências de classificação de risco financeiro, está em todas as manchetes nesta quarta-feira.

Publicidade

O diário econômico Les Echos explica que a motivação da Moody's para colocar a nota francesa sob vigilância é a quantidade de garantias que o governo francês tem oferecido e não contabilizado no balanço geral das despesas públicas, que pode vir a pesar ainda mais sobre a colossal dívida pública do país. Só de juros da dívida, a França vai gastar no ano que vem quase 50 bilhões de euros.

O conservador Le Figaro informa que o governo não exclui adotar novas medidas de austeridade, além do plano de economias de 11 bilhões de euros já anunciados. O jornal também informa que o capital estrangeiro está desertando a zona do euro e todo tipo de investimento sofre com esse desinteresse crescente: ações, títulos de dívidas soberanas, obrigações de empresas e posições de câmbio. Os investidores migraram para o sudeste da Ásia, onde emergentes como China e Índia oferecem mais oportunidades do que a Europa e os Estados Unidos. Na América Latina, segundo o Le Figaro, o Brasil continua sendo o país mais atraente para o capital estrangeiro.

Jornais mais à esquerda, como Libération e L'Humanité, tratam a ameaça de redução da nota francesa pelo ângulo político. Para o Libération, é a política econômica de Sarkozy que leva a advertência. Sempre tentando tratar a informação de uma forma irônica, o Libé diz que a Moody's cortou o crédito do Palício do Eliseu. Em editorial, o jornal lembra o que considera uma falta dupla do presidente. Sarkozy fez uma reforma fiscal no início do mandato que diminuiu a arrecadação, favoreceu os ricos e ampliou a desigualdade social. Agora que a casa começou a pegar fogo, diz o Libération, o dever de todos, inclusive da oposição, é apagar o fogo o mais rápido possível.

L'Humanité estima que a advertência da agência Moody's não deixa de ser um apoio disfarçado à reeleição de Sarkozy, já que o presidente de direita tem política econômica liberal enquanto a esquerda tende a aumentar os gastos na área social.

La Croix destaca em manchete que a França ainda pode salvar seu triplo Aaa e todas as forças políticas do país têm pensado numa maneira de defender a credibilidade financeira da França.
 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Acompanhe toda a actualidade internacional fazendo download da aplicação RFI

Página não encontrada

O conteúdo ao qual pretende aceder não existe ou já não está disponível.