Defesa/Visita

Celso Amorim visita estaleiro na França

O ministro da defesa, Celso Amorim, visitou estaleiro onde estão sendo construídas partes de submarino brasileiro.
O ministro da defesa, Celso Amorim, visitou estaleiro onde estão sendo construídas partes de submarino brasileiro. Antonio Cruz/ABr

O ministro da defesa, Celso Amorim, visitou, na tarde desta quarta-feira, as instalações do estaleiro da DCNS, em Cherbourg, no norte da França, onde estão sendo construídas as primeiras partes de um dos quatro submarinos que o Brasil comprou da França, dentro do acordo de parceria estratégica entre os dois países.

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Celso Amorim está na França para uma visita de dois dias. Ele foi recebido hoje pelo presidente francês Nicolas Sarkozy para discutir a cooperação entre Brasil e França na área da defesa.

Na noite de terça-feira ele participou, como palestrante, da conferência comemorativa dos 30 anos da revista de geopolítica e economia "L'état du monde" (O estado do mundo), na Biblioteca Nacional da França, onde falou sobre o novo papel dos emergentes no cenário mundial, afirmando que o mundo ainda resiste aos países em desenvolvimento. Entre os palestrantes, estavam a jornalista da Tunísia e militante dos direitos humanos, Sihem Bensedrine, e o correspondente do jornal Le Monde nos Estados Unidos, Sylvain Cypel.

Depois da conferência, ele falou em exclusividade para a Radio França Internacional e afirmou que a construção do primeiro submarino evolui bem, mas não precisou datas. "Isso é um projeto de longo prazo", afirmou o ministro. "Nós continuamos trabalhando na parte nuclear, que é feita no Brasil", completou.

O acordo assinado entre a Marinha brasileira e a empresa DCNS, prevê a fabricação da parte dianteira do submarino, em Cherbourg, na França, e a formação de engenheiros e técnicos brasileiros para a produção dos outros quatro submarinos, de propulsão comum (diesel), e um nuclear, no Brasil. O contrato também prevê a construção de um estaleiro em Itaguaí, no Rio de Janeiro. Atualmente, somente Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, China, França e Índia dominam a tecnologia de construção de submarinos nucleares. Mas a construção de um submarino desse tipo pode demorar 10 anos.

Durante a entrevista, Amorim afirmou que todas as operações feitas com a França envolvem transferência de tecnologia. "Passou o tempo, pelo menos no caso do Brasil, em que você vendia material, para a defesa ou para qualquer outra coisa, sem tranferir tecnologia", completou.

Compra dos Rafale

Sobre a compra dos Rafale, Celso Amorim voltou a afirmar que o Brasil necessita de novos caças, mas que em tempos de crise econômica, é preciso ter cautela. Durante entrevista coletiva, na terça-feira de manhã, em Paris, o ministro afirmou que a decisão sobre a compra dos caças de combate será condicionada ao impacto que a crise econômica terá no país. A declaração foi feita após uma reunião de Amorim com o ministro da Defesa francês, Gérard Longuet.

Ele não exclui a possibilidade de a decisão ser tomada durante o ano de 2012 e acrescentou que os aviões Mirage da força aérea brasileira têm que ser substituídos até o final de 2013, porque a manutenção dos aparelhos, cuja vida util chega ao fim, vai custar caro para o governo brasileiro.

Depois da visita do estaleiro da DCNS, Celso Amorim volta ao Brasil.
 

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