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A Itália pós-Berlusconi é cheia de incertezas, diz imprensa francesa

Silvio Berlsuconi faisant ses adieux aux Italiens à la télévision, le 13 novembre 2011, après son départ de la présidence du Conseil.
Silvio Berlsuconi faisant ses adieux aux Italiens à la télévision, le 13 novembre 2011, après son départ de la présidence du Conseil. REUTERS/Alessandro Garofalo
Texto por: Elcio Ramalho
3 min

As incertezas sobre o futuro da Itália com a queda de Berlusconi e os desafios do novo primeiro-ministro Mario Monti estão entre os principais destaques da imprensa francesa desta segunda-feira. Em várias páginas dedicadas à reviravolta no cenário político italiano, o econômico Les Echos afirma que Mario Monti prepara o país a novos sacrifícios após a saída de Berlusconi.

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Para o jornal, a imagem mais forte que fica depois de um final de semana rocambolesco, marcado pelo voto de aprovação das medidas de austeridade e a consequente queda do chefe de governo, é a de uma orquestra e um coral cantando "Aleluia" durante a saída de Berlusconi do palácio Quirinale, em Roma, onde fica a sede da presidência italiana. Les Echos escreve que Mario Monti, nomeado para assumir o cargo, não apenas é um "anti-Berlusconi" por excelência, mas também aparece como o nome providencial para acalmar os mercados. São os economistas que tomaram o poder no país, afirma o jornal.

O Libération lembra que até um mês atrás a saída de Berlusconi do poder era pouco provável, apesar das pressões de seus adversários. Foi o contexto de uma grande crise que projetou o prestígio acadêmico, a competência reconhecida e os contatos internacionais de Mario Monti para transformá-lo no único nome de confiança para acertar os rumos da economia do país, e enviar para os arquivos da história os 17 anos de poder de Berlusconi.

O Le Figaro ressalta que Mario Monti já demonstrou que vai previligiar um perfil muito mais técnico que político na composição de seu gabinete. Mas, independentemente dos nomes brilhantes que escolher para as diversas pastas, ele precisará de maioria no parlamento para aprovar as medidas e combater a dívida colossal de 120% do PIB.

Em artigo de página inteira, uma jornalista enviada especial do Le Figaro à Roma afirma que a Itália entra em um período de grande incerteza principamente política. O homem que passou 17 anos à frente do poder no país foi abatido e perdeu o poder executivo, mas continua com um grande capital de poder e ainda é dono de jornais e televisões que podem ajudá-lo a se vingar dessa grande amargura. Muitos italianos atribuem a ele uma energia vital imensa e acreditam que ele pode ressurgir com força, assim como em outras épocas.

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