Nigéria/Violência

Bispos querem ajuda para proteger católicos de seita islâmica

Multidão de nigerianos observa carro que explodiu durante ataque terrorista do grupo Boko Haram, nos arredores de Abuja.
Multidão de nigerianos observa carro que explodiu durante ataque terrorista do grupo Boko Haram, nos arredores de Abuja. REUTERS/Afolabi Sotunde

Os católicos do norte da Nigéria se preparam para o fim do ultimato dado pela seita islâmica Hoko Haram, que deu ontem três dias para eles deixarem o norte do país. No sábado, o presidente Goodluck Jonathan decretou estado de emergência em várias regiões, fechou fronteiras, mas o Boko Haram disse que vai resistir às tropas governamentais.

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Boko Haram quer dizer "a educação ocidental é um pecado". Esse grupo fundamentalista islâmico nigeriano diz se inspirar no movimento talibã afegão e quer expulsar os católicos para o sul. O norte da Nigéria é pobre e de maioria muçulmana; o sul é rico e de população majoritariamente católica e animista.

Com medo de que o Exército não dê conta de defendê-los, os católicos declararam que vão recorrer à autodefesa para se proteger da violência inter-religiosa. Os bispos da Nigéria pediram ao presidente nigeriano que peça ajuda a especialistas no exterior para dar suporte às forças de segurança no combate aos islamitas.

Especialistas da região temem que a decretação do estado de emergência para combater os extremistas acabe dando cobertura ao Exército para praticar abusos. No passado, uma unidade de soldados formada para combater o grupo Boko Haram foi acusada de matar civis injustamente e de queimar moradias de supostos simpatizantes dos extremistas islâmicos. Segundo especialistas, a violência por parte dos soldados levou muitos nigerianos a apoiar os extremistas contra os militares.

Alta dos combustíveis gera protestos

Primeiro produtor de petróleo na África, a Nigéria enfrenta uma onda de protestos contra a alta nos preços da gasolina. Uma nova lei que entrou em vigor no dia 1° de janeiro suprimiu os subsídios do governo aos combustíveis, o que duplicou o preço do litro de gasolina.

Hoje, a polícia interveio contra manifestantes que queimavam pneus em Lagos, lançando bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os protestos. Manifestantes também foram detidos pela polícia na cidade de Kano, no norte do país.

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