Massacre de crianças na Síria revolta fotógrafo do Le Monde

O calvário dos civis perseguidos e mortos pelo regime de Bashar Al-Assad, na Síria, merece um destaque especial na imprensa francesa neste sábado 28 de janeiro. Um fotojornalista do Le Monde, que faz a cobertura da revolta em Homs, cidade que se tornou símbolo da rebelião popular contra a ditadura, relata em detalhes as execuções da última quinta-feira no bairro de Nasihine, em que 11 pessoas de uma mesma família foram cruelmente assassinadas por militares do regime.

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Mani, o fotógrafo do Le Monde, fotografou um a um os corpos da família Bahadour, mortos de maneira selvagem por sete homens vestindo uniforme militar. Cinco crianças pequenas, de 2, 3, 4, 5 anos talvez, foram alvejadas nos olhos, na nuca, na testa ou foram simplesmente degoladas pelos soldados. Depois, elas foram enfileiradas ao lado do pai, da mãe e de adolescentes executadas com a mesma crueldade. Um vídeo sobre o massacre circula no Youtube.

O fotojornalista do Le Monde conta que os opositores que ainda guardam a coragem, que não se rendem ao terror imposto pelo ditador Al Assad, trabalham no escuro em seus computadores, recolhendo e transmitindo ao exterior o máximo de informações possíveis sobre o que se passa na Síria. Esses homens, presenciou Mani, desafiam o terror ouvindo saraivadas de tiros em suas portas, os gritos desesperados de homens, mulheres e crianças confrontados à morte.

A rua Al Ansar, teatro do massacre em Homs, é um lugar onde cohabitam alaouitas, a minoria de origem do ditador sírio, e sunitas. As forças de Assad deram ordem para os sunitas saírem do bairro, senão eles terão o mesmo destino da família Bahadour.

Até onde irá a repressão do regime sírio, questiona o jornal Libération, exibindo as crianças massacradas pelos soldados de Assad. A Rússia, sublinha o Libération, continua sendo um dos principais apoios ao regime de Damasco.

Para o jornal, a objeção do governo russo em aprovar uma resolução contra o regime sírio no Conselho de Segurança da ONU pode ter duas razões: ou o candidato Vladimir Putin não quer parecer submisso aos ocidentais em plena campanha para as presidenciais de março, ou Moscou teme que aconteça na Síria exatamente o que aconteceu na Líbia. Nesse caso, uma resolução do Conselho de Segurança seria o sinal verde para uma intervenção militar.

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