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Imprensa francesa

Morte de jornalistas na Síria provoca revolta na imprensa

Os jornalistas ocidentais mortos na Síria, o fotógrafo francês Remi Ochlik e a jornalista americana Marie Colvin.
Os jornalistas ocidentais mortos na Síria, o fotógrafo francês Remi Ochlik e a jornalista americana Marie Colvin. Reuters
Texto por: Lúcia Müzell
3 min

Os jornais franceses publicados nesta quinta-feira dão amplo destaque à morte de dois jornalistas ocidentais ontem na cidade síria de Homs, foco da contestação do poder do presidente Bashar al-Assad. Um repórter fotográfico francês e uma jornalista de guerra americana sucumbiram a um ataque a bomba realizado deliberadamente pelas forças do governo. O bombardeio visou uma sala de imprensa improvisada pelos opostores ao regime, onde trabalhavam cerca de 10 jornalistas estrangeiros.

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O jornal Le Figaro lamenta ainda que sua enviada especial ficou gravemente ferida no ataque, ocorrido a poucas horas após a sua chegada ao país. O jornal relata que a jornalista Edith Bouvier foi ferida na perna pelo bombardeio que tirou a vida de Marie Colvin, experiente repórter de guerra do Sunday Times, e Rémi Ochlik, que apesar dos apenas 28 anos, já era um premiado fotógrafo de zonas de conflito.

Em reação ao ataque, o Ministério das Relações Exteriores da França convocou a embaixadora da Síria em Paris para dizê-la que "o comportamento do governo sírio está intolerável". O ministro Alain Juppé acusou o regime de ser responsável pelas mortes, mas o governo sírio defendeu-se afirmando que os jornalistas trabalhavam ilegalmente no país.

Enquanto isso, o diário Libération publica uma extensa reportagem de seu enviado especial à Síria. Na capa, a foto de um homem chorando a morte do filho bebê ilustra a manchete "No inferno de Homs". O texto conta que até as crianças estão revoltadas contra a violência do regime e questionam a razão para os bombardeios diários à cidade, onde ocorreram a maioria das mortes desde o início das revoltas contra al-Assad, há 11 meses.

Em editorial, o Libération explica que a morte de jornalistas não é mais importante do que a de milhares de civis sírios, mas o mundo ocidental deixa de receber o relato de profissionais que arriscam suas vidas para alertar sobre os acontecimentos no país. "As suas imagens e relatos podem parecer fracas barreiras diante da barbárie, mas são a cada vez mais necessários", conclui o texto.
 

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