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França/Violência

França procura serial killer e ativa alerta máximo

"Na França matam negros, judeus e árabes", diz a frase da faixa levada por participantes da marcha silenciosa em homenagem às vítimas do criminoso, na noite de segunda-feira, em Paris.
"Na França matam negros, judeus e árabes", diz a frase da faixa levada por participantes da marcha silenciosa em homenagem às vítimas do criminoso, na noite de segunda-feira, em Paris. Reuters/Charles Platiau
Texto por: Leticia Constant
6 min

 O presidente Nicolas Sarkozy confirmou que a arma e o scooter usados no ataque à escola judaica Ozar Hatorah, em Toulouse (sudoeste), em que morreram três crianças e um professor franco-israelenses, são os mesmos utilizados em dois ataques na região, que causaram a morte de três militares. O alerta máximo foi ativado.

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A França está em estado de choque depois do assassinato de três crianças e um professor franco-israelenses na escola judaica Ozar hatorah, em Toulouse, na manhã desta segunda-feira. As vítimas, um professor e suas duas filhas, e a filha do diretor da escola, foram mortos a balas por um atirador em scooter que, com duas armas, invadiu o local. Um jovem de 17 anos ficou gravemente ferido. O matador conseguiu fugir. As crianças assassinadas tinham entre três e dez anos de idade.

A suspeita de um serial killer com motivações racistas e antissemitas foi confirmada pela justiça francesa e pelo presidente Nicolas Sarkozy, que afirmou que a mesma moto roubada no dia 11 de março, e a mesma arma, foram usadas em outros dois ataques na região; o primeiro  própria cidade de Toulouse e outro em Montauban, em que três militares, um antilhês e dois árabes do norte da Africa, perderam a vida. Um outro militar continua internado em estado gravíssimo.

A divisão antiterrorismo da promotoria da França abriu uma investigação sobre o ataque ao colégio israelita e o assassinato dos militares. A polícia francesa também investiga duas cartas de ameaça, idênticas, enviadas a duas sinagogas da região. O antissemitismo não deixa dúvidas, como demonstra o seguinte trecho: "..Vocês são o povo de Satã, que os espera no inferno".

Plano antiterrorista, alerta máximo

O presidente Nicolas Sarkozy deu uma coletiva de imprensa nesta noite, depois de se reunir com seu primeiro-ministro, François Fillon, e os diretores do gabinete dos ministros do Interior, Justiça e Defesa.

Chamando o assassino de "louco", ele declarou que o ato odioso não ficará impune e lembrou que nunca havia acontecido um massacre em uma escola na França.Sarkozy anunciou a ativação do plano antiterrorista no alerta máximo, cor escarlate, quando existe ameaça real.

"Medidas especiais serão tomadas para proteção da região Midi-Pirineus e alguns departamentos vizinhos. Decidi que será ativado o plano antiterrorista Vigipirate, cor escarlate. Catorze unidades de policiais vigiarão a região até esse criminoso ser capturado", declarou o presidente.

A motivação dos crimes também foi abordada pelo presidente: "Não sabemos a motivação desse criminoso, mas atacando crianças e um professor judeu, a motivação antissemita me parece clara. Quanto aos nossos soldados, dois eram muçulmanos e um, antilhês. Não sabemos a motivação, mas o racismo e a loucura assassina estão presentes", afirmou Sarkozy, que nesta terça-feira receberá representantes das comunidade judaica e muçulmana da França.

Um minuto de silêncio será observado em todas as escolas do país, na manhã de terça-feira, em homenagem às vítimas do ataque.

Tragédia em plena campanha eleitoral

O drama desses ataques atingiu em cheio a campanha presidencial francesa. Todos os candidatos anularam suas intervenções e comícios, a começar pelo próprio presidente, que cancelou uma apresentação no jornal da noite na TV pública France 3 e suspendeu sua campanha até quarta-feira, dia do enterro dos militares assassinados. Marine Le Pen, da extrema-direita, anulou sua participação em um programa da TV pública France 2, e François Hollande cancelou seu comício previsto para esta terça-feira na cidade de Rennes.

Para o cientista político Stéphane Montclaire, da Universidade Paris-Sorbonne, "os presidenciáveis devem usar a tragédia para fazer um discurso de circunstância". Montclaire insiste que não se trata de recuperação política do drama, mas sim de uma necessidade dos candidatos, em função do momento eleitoral atual, de mostrarem aos franceses que são sensíveis a esta emoção nacional.

Marcha silenciosa

Milhares de pessoas, entre elas, muitos jovens, se concentraram na Praça da República, em Paris, para uma marcha silenciosa em homenagem às vítimas do ataque contra a escola e aos três militares mortos na semana passada, pelo mesmo homem, procurado em todo o país.

Muitas bandeiras de Israel e da França se misturavam durante a passeata, da qual participaram diversos políticos e artistas.

Reações internacionais e reforço da segurança

A matança na escola judaica provocou revolta em diversos países e um reforço das medidas de segurança em torno de escolas e instituições judaicas em certas nações europeias.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi o primeiro a condenar o ato odioso e a Autoridade Palestina, através de seu negociador Saëb Erakat, também manifestou sua indignação com o ataque.

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, falou em "gesto horrível" e, nos Estados Unidos, a Casa Branca denunciou um ato de violência gratuito e revoltante. Em Nova York, a segurança foi reforçada em torno de escolas e sinagogas.

A Comissão Europeia, União Europeia, Bélgica, Canadá, Itália e Suécia também manifestaram sua solidariedade com a França.

A Confederação Israelita do Brasil também fez parte de sua profunda indignação depois da matança na escola. Claudio Lottenberg, seu presidente, lamentou que uma sociedade democrática como a França possa estar exposta ao ódio que tem as crianças como alvo principal.

O Congresso Judeu Europeu pediu à justiça francesa para fazer o possível para encontrar o autor dos ataques. Em Haia e na Suécia, a proteção também foi reforçada em torno das escolas israelitas.

 

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