França/Ataque

França lança "caça ao homem" que pode ter filmado seus crimes

O ministro do Interior, Claude Guéant, durante cerimônia em homenagem às vítimas na sinagoga de Toulouse.
O ministro do Interior, Claude Guéant, durante cerimônia em homenagem às vítimas na sinagoga de Toulouse. Reuters/Jean-Philippe Arles
Texto por: RFI
5 min

Um gigantesco esquema policial foi acionado na França desde a segunda-feira para a captura do assassino de três militares, um rabino e três crianças judaicas, nas cidades de Toulouse e Montauban, no sudoeste. O ataque à escola em Toulouse foi filmado e as autoridades temem que o homem, cujo rosto sempre ficou oculto pelo capacete,  possa reincidir.

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Juízes antiterroristas dirigem centenas de investigadores que vasculham arquivos, interrogam e exploram todos os detalhes dos três ataques do "homem do scooter com duas armas", entre as quais, uma pistola de calibre 11.43 que matou todas as vítimas.

A região sudoeste da França está sob alta vigilância depois da ativação do alerta máximo do plano antiterrorista Vigipirate, ordenada pelo presidente Nicolas Sarkozy. Os policiais acham que o assassino vai reincidir. "Seria surpreendente se ele parasse, pode ser que queira que seus crimes sejam divulgados", declarou um investigador da região.

Gilles Rouziès, secretário-adjunto do sindicato policial Alliance, esclareceu que todos os serviços operacionais estão mobilizados, todos os pedidos de férias do pessoal foram suspensos e as equipes foram reforçadas. O objetivo é proteger os pontos estratégicos como locais de culto muçulmanos e sinagogas, escolas, estações de trem e metrôs. "Em trinta anos de carreira, nunca vivi uma situação como essa", afirmou Rouziès.

Quanto ao serial killer, não se tem quase nenhuma informação. Ele não deixou nenhuma impressão digital nem traços de DNA.

Filmando os próprios crimes

O criminoso tinha uma pequena câmera pendurada no pescoço ao matar as crianças e o rabino na escola judaica. Trata-se de um pequeno aparelho com alças, o que leva a crer que o homem pode ter filmado os próprios crimes. Um detalhe sórdido que acrescenta mais dramaticidade ao caso. Ele pode ter filmado igualmente a morte do militar em Montauban, pois testemunhas declararam ter visto a pequena câmera pendurada em seu pescoço.

Um policial especializado em informática vigia dia e noite a Internet, em busca de eventuais imagens dos crimes.

Pistas

As investigações estão levando em conta duas pistas principais: a primeira, menos provável, é a do extremismo islâmico. A segunda, mais forte, é a de um fanático de extrema-direita, néo-nazista.

Paraquedistas inocentados

Seguindo a pista do extremismo de direita, os investigadores interrogaram três ex-membros da unidade de paraquedistas de Montauban, expulsos do exército em 2008 por aparecerem em uma foto diante de uma bandeira nazista, fazendo a saudação a Hitler. Os militares mortos pertenciam a esta mesma unidade. Depois de ouvidos, os três homens foram colocados em liberdade.

A polícia também vasculha os clubes de tiro e os comerciantes de armas da região para descobrir a origem da pistola, cujo carregador foi abandonado em um dos locais de crime.

Uma outra pista é a dos scooters roubados; o preto foi usado na ação contra os militares, e o branco, contra a escola. As autoridades pensam que se trata do mesmo scooter, pintado entre os dois ataques.

Quanto às testemunhas, apresentam relatos divergentes e imprecisos, mas um ponto é comum entre os depoimentos: o homem tem porte atlético e parecia calmo e totalmente determinado, com uma frieza absoluta.

O grande serviço de contra-espionagem criado em 2008 no país está totalmente mobilizado, ao lado da unidade de elite da polícia nacional especializada nas operações de prisão de alto risco.

O ministro do Interior, Claude Guéant, vai ficar em Toulouse até o caso ser resolvido. Guéant declarou que nada indica que o assassino pertença a uma rede e a hipótese do ato isolado de um fanático não está descartada.

Enterro em Israel

Nesta terça-feira, os corpos das quatro vítimas judias seguem para Israel, onde serão enterrados a pedido das famílias. A tradição judaica exige que sejam enterrados até 48 horas depois da morte.

O ministro da Defesa, Alain Juppé, vai acompanhar os familiares na viagem a Israel, onde assistirá a cerimônia.

Minuto de silêncio

 

Todas as escolas da França observaram um minuto de silêncio na manhã desta terça-feira, em homenagem às três crianças e ao professor judeu assassinados.
O presidenteNicolas Sarkozy participou do minuto de silêncio em Paris, no colégio François Couperin, perto do Memorial da Shoah, no bairro do Marais, onde vive grande parte da comunidade judaica na capital.

"Em primeiro lugar, este é um momento de recolhimento. Depois teremos oportunidade de falar sobre o drama, sobre os problemas de insegurança, a evolução da sociedade", comentou o ministro da Educação Nacional francês, Luc Chatel.

O ministro afirmou que quando se ataca uma escola, se ataca uma instituição. "Hoje, a escola é, sem dúvida, a última representação das instituições, dos valores da República".

 

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