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Imprensa francesa

Líderes muçulmanos não conseguem impedir radicalização de jovens, diz jornal

Jovens jihadistas islâmicos posam para foto em 12 de março, na Faixa de Gaza.
Jovens jihadistas islâmicos posam para foto em 12 de março, na Faixa de Gaza. REUTERS/Ahmed Zakot
Texto por: RFI
3 min

A mobilização da comunidade muçulmana para identificar e prevenir a radicalização de uma parte de seus integrantes é o assunto em destaque do jornal La Croix que circula nesta quarta-feira. A reportagem do diário católico explica que os crimes cometidos pelo atirador de Toulouse trouxeram de volta o debate sobre um fenômeno que atinge sobretudo os jovens seguidores do Islã.

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Em entrevista ao jornal La Croix, a redatora-chefe de um site dedicado a divulgar notícias sobre os muçulmanos afirma que os líderes da religião ainda não tomaram consciência do impacto de alguns vídeos postados na Internet. Segundo ela, além de nivelar por baixo o discurso intelectual e espiritual, os discursos levam a uma radicalização do islamismo que muitas vezes responde às mensagens divulgadas pela extrema-direita francesa.

Outros especialistas ouvidos por La Croix consideram que o radicalismo religioso, apesar de marginal, é uma das facetas do atual conflito de identidade que afeta a sociedade como um todo. Além disso, os discursos divulgados nas mesquistas, baseados em noções de pureza da religião, do que é certo ou errado, não contribuem para muitos muçulmanos adotarem uma postura tranquila em relação à sociedade francesa.
A decisão da rede de televisão Al Jazeera de não divulgar as imagens dos crimes cometidos por Mohamed Merah, o atirador de Toulouse, também foi destaque em vários jornais.

Em editorial, o conservador Le Figaro afirma que o canal de tevê baseado no Catar levou em consideração questões comerciais e diplomáticas, já que o país do Golfo Pérsico investe muito na França e foi advertido pelo presidente Nicolas Sarkozy. Mas a decisão não significou uma autocensura, na opinião do jornal. "Talvez um dia as imagens macabras sejam divulgadas, mas às vezes o direito do silêncio deve prevalecer diante do direito da informação", escreve Le Figaro.

Para o diário Aujourd'hui en France, a possibilidade de que o vídeo fosse exibido pela rede de tevê Al Jazeera provocou uma onda de indignação e uma mobilização das autoridades até ficar confirmado que as imagens não seriam exibidas. Uma fonte que não teve sua identidade reveleada afirmou que as imagens dos crimes filmados por Mohamed Merah são de uma violência "insuportável", e a rede de tevê prometeu entregar à justiça todas as cópias do vídeo que estavam no cofre da empresa.

Segundo o jornal Libération, o vídeo entregue para a polícia judiciária está sendo analisado e pode eventualmente permitir a identificação de um terceiro cúmplice de Mohamed Merah, além do irmão dele, Abdelkader, que continua preso.
 

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