Mali/crise

Rebeldes tuaregues declaram independência no norte do Mali

Rebelde tuaregue em frente a uma mesquita em Timbuktu no Mali.
Rebelde tuaregue em frente a uma mesquita em Timbuktu no Mali. REUTERS/Luc Gnago

O movimento tuaregue MNLA proclamou hoje de manhã a república independente de Azawad no norte do Mali. A região conquistada nos últimos dias por rebeldes independentistas e combatentes de milícias islâmicas é do tamanho da França e da Bélgica juntas.

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O porta-voz do MNLA, Mossa Ag Attaher, declarou que os touaregues pretendem respeitar as fronteiras dos países vizinhos. Mas o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, disse hoje que uma independência unilateral não faz sentido. Para ser reconhecida, essa nova república precisa do apoio dos Estados africanos e de negociações internacionais.

O golpe militar contra o regime do presidente Amadou Toumani Touré, há duas semanas, mergulhou o Mali numa situação caótica. Segundo analistas, os rebeldes e as milícias islâmicas têm um arsenal de armas muito superior ao do exército malinês. Muitos estiveram recentemente na Líbia, defendendo o regime do ex-ditador Muammar Kadhafi. A junta militar no poder, na capital Bamako, pede ajuda internacional para evitar a divisão definitiva do país.

Nas cidades de Gao, Kidal e Timbuktu, fundamentalistas islâmicos semeam o caos e impõe à força a obediência à charia (lei islâmica). A tomada do poder por extremistas islâmicos e membros da Al Quaeda no Norte da África preocupa a comunidade internacional, especialmente a França, que obteve a aprovação de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas exigindo um cessar-fogo imediato no norte do Mali.

A França declara ainda estar disposta a dar ajuda logística à comunidade de países do Oeste da África (Cedeao), que estuda o envio de uma força militar. O governo brasileiro apoia os esforços da Cedeao no sentido de fomentar o diálogo pacífico que possibilite o retorno do Mali à normalidade institucional com a designação do presidente de Burkina Faso, Blaise Compaoré, para atuar como mediador da organização junto às partes do conflito, diz nota do Itamaraty.

 

Entrevista de morador de Timbuktu

 

 

 

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