Justiça Internacional

Justiça internacional condena Charles Taylor por crime contra a humanidade

O ex-presidente da Libéria Charles Taylor (ao fundo) participa de audiência em Haia.
O ex-presidente da Libéria Charles Taylor (ao fundo) participa de audiência em Haia. REUTERS/Peter Dejong/

O Tribunal Especial para a Serra Leoa declarou o  o ex-presidente da Libéria Charles Taylor culpado por crimes contra a humanidade cometidos na vizinha Serra Leoa. Charles Taylor é o primeiro ex-chefe de Estado condenado pela justiça internacional. A segurança já foi reforçada nas ruas de Freetown, capital de Serra Leoa, para evitar manifestações violentas após o anúncio do veredito.

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A pena atribuída a Chales Taylor pelo Tribunal Especial para a Serra Leoa só deverá ser anunciada dentro de um mês. "Concluiu-se que o acusado é criminalmente responsável de ter encorajado e ajudado a comertar os crimes que constam da acusação", declarou o juiz  Richard Lussick lhojena audiência pública realizada em Haia. 

Presidente da Libéria entre 1997 e 2003, Charles Taylor, de 64 anos, foi acusado por de ter lançado uma campanha de terror em Serra Leoa, país vizinho, para controlar a exploração e o comércio de diamantes.No processo em andamento, Taylor respondeu a 11 acusações que incluem aterrorizar civis, estupros, escravidão sexual, mutilações e recrutamento de crianças-soldado. Os depoimentos de mais de 90 testemunhas relataram os métodos brutais empregados por Taylor. As 21 testemunhas de defesa e próprio Charels Taylor, porém, negam todas as acusações de crimes contra a humanidade.

O processo contra o ex-presidente da Libéria foi aberto em 2007, alguns meses após a sua prisão. O julgamento foi transferido da capital de Serra Leoa, Freetown, para Haia por medidas de segurança, informou a ONU. Em 2010, o caso voltou a ganhar a atenção internacional quando a atriz Mia Farrow e a modelo Naomi Campbell testemunharam sobre os diamantes que a modelo recebeu de presente de Taylor.

O conflito na Serra Leoa ocorreu de 1991 a 2002. Entre 50 mil e 250 mil pessoas morreram, milhares ficaram inválidas e pelo menos 2 milhões e meio tiveram que abandonar as suas casas para tentar escapar da onda de violência.
 

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