China/Direitos Humanos

Ativista cego foge de prisão domiciliar e constrange Pequim

Após fuga, o dissidente Chen Guangcheng manda mensagem de vídeo ao primeiro-ministro chinês.
Após fuga, o dissidente Chen Guangcheng manda mensagem de vídeo ao primeiro-ministro chinês. DR

O advogado Chen Guangcheng, ativo contestador da política chinesa do filho único, fugiu nesta sexta-feira de sua casa, onde era mantido em prisão domiciliar há um ano e meio. O feito foi divulgado através de um vídeo de 15 minutos publicado na internet, no qual ele denuncia abusos sofridos. Há rumores de que ele esteja abrigado na embaixada dos EUA em Pequim.

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A fuga acontece a poucos dias de uma visita programada da secretária de Estado, Hillary Clinton, e do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, a Pequim. A porta-voz do Departamento de Estado declarou oito vezes em comunicados que não tinha comentários a respeito de Chen. Uma viagem de preparação de representantes do Departamento de Estado e do Departamento do Tesouro foi cancelada na última hora.

Chen, 40 anos, ganhou notoriedade ao denunciar as práticas de abortos em gestações avançadas e esterilizações forçadas praticadas pelas autoridades chinesas obedecendo à política do filho único. O advogado, que ficou cego na infância, foi posto em prisão domiciliar em setembro de 2010, depois de cumprir condenação de mais de quatro anos de prisão.

Na mensagem de vídeo, de 15 minutos, Chen, com a voz emocionada, pede ao primeiro-ministro Wen Jiabao que sua família não sofra represálias e denuncia vários funcionários do governo que o maltrataram, assim como a sua mulher e seu filho.

Dos Estados Unidos, um ativista chinês informou que Chen deixou sua casa no dia 22 de abril, sendo levado para fora da província de Shandong. O advogado, segundo o ativista, está em Pequim, em um local "100% seguro", sem dar detalhes sobre a fuga, por motivos de segurança.

A sede diplomática americana em Pequim também não fez comentários.

A família de Chen continua na casa que servia como prisão domiciliar, agora com vigilância reforçada. Uma mulher que ajudou Chen Guangcheng na fuga foi detida em Nanquim (leste), segundo o ativista baseado nos Estados Unidos.

Em 2006, a revista americana Time incluiu Chen na lista das 100 personalidades mais influentes do mundo.
 

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