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Crise Financeira/França

Falências múltiplas podem fazer explodir desemprego na França

O primeiro ministro francês, Jean-Marc Ayrault
O primeiro ministro francês, Jean-Marc Ayrault Reuters/Gonzalo Fuentes
Texto por: RFI
4 min

Diante do perigo de uma explosão de planos de ajuda social, o governo francês montou uma lista das 36 empresas com maior risco de colapso financeiro no país. Embora os tamanhos e situações financeiras variem entre estas companhias, estima-se que seu colapso extinguiria um número grande de postos de trabalho. Por isso, o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault, que anunciou da confecção da lista na manhã desta sexta-feira, optou por manter os nomes dos grupos em sigilo. De acordo com um porta-voz do ministério, nomear as empresas significaria fragilizá-las ainda mais.

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Mas, nem é preciso. A sequência de más notícias que ocupou o noticiário econômico nesta sexta-feira deu conta de pelo menos uma parte importante destas empresas: a Technicolor, uma empresa de 351 funcionários que ficou famosa na primeira metade do século XX por colorir filmes como "O Mágico de Oz", entrou em concordata, assim como o grupo Doux (3,4 mil empregados), líder no setor avícola europeu. E o gigante indiano da mineração ArcelorMittal anunciou o fechamento de duas usinas em Florange, no nordeste francês.

A lista de que Ayrault trouxe à tona nesta sexta-feira será contraposta a uma outra, enviada ao governo pelo sindicato CGT, que apresenta 46 empresas em dificuldades. Juntas, essas companhias contabilizariam mais de 45 mil empregos, uma ameaça considerável em um país cuja taxa de desemprego já esbarra nos 10%. Para enfrentar o problema, o governo criou "uma célula", nas palavras de Ayrauld, dentro do Ministério da Reforma Produtiva, para trabalhar junto com o Ministério da Fazenda, para analisar cada caso. "Em cada território, cada prefeito vai designar uma pessoa de extrema competência que será encarregada de ajudar na busca por soluções", determinou o primeiro-ministro.

Ponta do iceberg
Estas 36 empresas ameaçadas são apenas a ponta do iceberg. Em 2011, 50.354 empresas francesas pediram resgates financeiros, concordatas ou decretar falência, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos (INSEE, na sigla em francês). Mas, só no primeiro trimestre de 2012, 16.206 companhias passaram pro procedimentos deste tipo. Em números absolutos, isso significa a dissolução de 65.200 empregos, contra 56.200 no mesmo período de 2011 - um aumento de 16%.

Destes milhares de empresas - em sua maioria, negócios de pequeno e médio porte - sobressaem algumas companhias grandes, de setores sólidos, como o automotivo, telecom, bancos, transportes ou distribuição. Todos estes tiveram de reduzir efetivos. Os casos mais comentados na França foram da Air France, que teve de promover um plano de demissões voluntárias para sanar suas contas; da PSA, que anunciou a extinção de 1,9 mil postos de trabalho para 2012; e do Carrefour, o maior empregador privado da França, com 115 mil assalariados, dos quais 3 mil devem ser cortados.

Mesmo assim, de acordo com uma pesquisa recente, a maioria do povo francês (53%) acredita que o estado pode reduzir os planos de ajuda social. Um terço acha que não há nada que se possa fazer. O governo, por sua vez, não exclui a possibilidade de proibir por lei as empresas em situação financeira estável de promover cortes de pessoal.

Desemprego recorde
A taxa de desemprego na zona do euro atingiu em abril o nível recorde de 11%, de acordo com anúncio feito hoje pelo instituto de análise estatística Eurostat. Em abril, 17,4 milhões de pessoas estavam desempregadas, em um aumento de 110.000 com relação a março. A única vez que o desemprego chegou a 11% na zona do euro foi em 1999.

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