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Imprensa francesa

Amazônia reflete desafios da Rio+20

Produtores rurais de Nova Califórnia, no interior de Rondônia, decidiram inverter o processo de desmatamento.
Produtores rurais de Nova Califórnia, no interior de Rondônia, decidiram inverter o processo de desmatamento. Flickr/coutinhobr
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No último dia da Rio+20, dois jornais franceses dedicam reportagens especiais para mostrar duas faces da exploração da Amazônia: o avanço de uma agricultura que destrói a floresta e, por outro lado, iniciativas promissoras de preservação ambiental.

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O econômico Les Echos afirma que os habitantes da Amazônia são confrontados com o melhor e o pior em matéria de desenvolvimento sustentável. O repórter do jornal conheceu o trabalho de uma cooperativa de 300 produtores rurais de Nova Califórnia, no interior de Rondônia, que decidiu inverter o processo de desmatamento incentivado pelo Incra para acelerar o desenvolvimento econômico da região.

Atualmente, o projeto Reca, coordenado por um gaúcho que migrou entusiasmado com o eldorado agrícola, replanta árvores frutíferas em mais de 3 mil hectares através de métodos de gestão racional da floresta. Depois de percorrer mais de 500 quilômetros atravessando o Acre, o repórter do Les Echos constata no sul do Amazonas o desmatamento selvagem para a implantação da pecuária extensiva. As famílias da cidade de Boca do Acre são ameaçadas de morte por fazendeiros que impõe a lei da força, afirma o jornal. A contradição desses dois mundos convivendo no Brasil agrário reflete as disputas e a decepção dos excluídos do sistema na Conferência da ONU Rio + 20, resume o Les Echos.

Já o Libération dedica uma matéria de página inteira para mostrar o exemplo da comunidade indígena Surui, também no estado de Rondônia. O entorno da reserva a floresta foi engolido por plantações e pastagens, mas os 1.300 integrantes da tribo conseguiram preservar suas terras ancestrais com o mecanismo Redd, mais conhecido como crédito carbono em que empresas, para reduzir emissão de CO2, pagam para preservar a floresta. Estimativas, segundo o jornal, indicam que em trinta anos os 248 mil hectares de terras da tribo Surui deverão render 37 milhões de dólares.

Ouvido pelo jornal, o chefe da tribo desdenha das críticas de mercantilização da natureza, afirmando que nada melhor foi proposto a eles para conservar o meio ambiente. Reverter a tendência de destruição da reserva indígena, ocupada por fazendeiros e exploradores de madeira com ajuda até de alguns índios, foi difícil, conta o jornal. Líderes da comunidade só andam com guarda-costas.

Em entrevista ao Libération, um especialista de um centro de estudo da Amazônia afirma que os índios têm um papel fundamental na preservação da floresta, e, assim como os brancos, eles também têm suas necessidades materiais. E querem ser recompensados financeiramente, principalmente ao ver que o fazendeiro que desmata suas terras, enriquece.
 

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