Acesso ao principal conteúdo
Rio+20/Brasil

Para Le Monde, "Brasil ganha e planeta perde" na Rio+20

Chefes de estado posam para foto na abertura da Rio+20
Chefes de estado posam para foto na abertura da Rio+20 REUTERS/Paulo Whitaker
Texto por: RFI
3 min

"Há um ganhador, o Brasil, e um perdedor, o planeta". Este é o veredicto do jornal francês Le Monde sobre a Rio+20, cúpula que reuniu nos últimos dias no Rio de Janeiro, representantes de 193 países para discutir desenvolvimento sustentável. Em editorial, o vespertino afirma que o Brasil conseguiu seu objetivo: chegar a um acordo. Mas, a que custo? Da exclusão, pura e simples, "de todas as passagens do projeto de declaração final que suscitassem contradições. E da conservação de todas as demandas gerais e consensuais". Ou seja, o Brasil priorizou seu papel como negociador em detrimento do compromisso com o desenvolvimento sustentável - que era o objetivo da cúpula.

Publicidade

Para Le Monde, seria excesso de otimismo esperar "um milagre" na Rio+20. Essa "falta de ambição" não é uma surpresa. Mesmo assim, é compreensível que, em comunicado conjuto, as 600 ONGs que participam da Cúpula dos Povos tenham chamado o documento final apresentado pelos governos de "profunda decepção". "Três anos depois do impasse na cúpula de Copenhague sobre o clima, é claro que é o planeta quem sai perdendo com este acordo pouco ambicioso".

O jornal, que no início da semana já havia advertido que a Rio+20 tinha tudo para ser uma "oportunidade perdida", deu a receita do do que seria um desfecho satisfatório: um grupo de países comprometidos, unidos por financiamentos que testemunhassem este comprometimento. De acordo com o texto, cada país tinha suas desculpas para que um compromisso deste porte não emergisse: os Estados Unidos estão mais preocupados com as eleições presidenciais. O Canadá se alinha automaticamente ao vizinho. China e Índia foram de uma "discrição notável". A Europa, imersa na crise da dívida, abandonou seu antigo papel de liderança. O G77, grupo formado por países do sul, ainda tentou dar um respiro, ao exigir que os países ricos firmassem um compromisso de investir US$ 30 bilhões por ano até 2017 e US$ 100 bilhões para financiar novos projetos ecológicos desta data em diante. "As nações solicitadas se fizeram de surdas", diz o jornal.

Essa inação coletiva resultou em um texto final que, para Le Monde, "elenca conclusões e compromissos já antigos e não formula nenhuma nova proposta concreta" e se esquiva das grandes questões da crise ecológica. Para piorar, não há nenhum outro encontro sobre o assunto à vista. Nem para que os chefes de estado sejam "questionados por sua inação", acusa Le Monde.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Acompanhe toda a actualidade internacional fazendo download da aplicação RFI

Página não encontrada

O conteúdo ao qual pretende aceder não existe ou já não está disponível.