Síria/ Violência

Rebeldes sírios assumem controle de campo de petróleo

Opositor do Exérctio sírio livre faz guarda durante ataques do Exército sírio em Idlib, no sábado (3).
Opositor do Exérctio sírio livre faz guarda durante ataques do Exército sírio em Idlib, no sábado (3).

Os rebeldes sírios tomaram o controle, neste domingo, pela primeira vez, de um campo de petróleo na província de Deir Ezzor, no leste da Síria, de acordo com o Observatório sírio dos direitos humanos (OSDH). Enquanto isso, o Conselho Nacional Sírio (CNS) se reúne no Catar para tentar ampliar sua representatividade.

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“Os rebeldes tomaram o controle do campo al-Ward, a leste da cidade de Mayadine, depois de vários dias de cerco”, disse Rami Abdel Rahmane, diretor do OSDH. Os combates começaram na madrugada e duraram várias horas, precisou, afirmando que 40 militares encarregados da vigilância da infra-estrutura morreram, ficaram feridos ou foram presos.

Os opositores do regime de Bashar Al-Assad também pegaram um tanque, carros blindados e munições, uma apreensão preciosa para os insurgentes que geralmente contam com armas leves contra a artilharia e a aviação do Exército regular.

A região de Deirr Ezzor, na fronteira com o Iraque, possui as mais importantes reservas energéticas do país, e o campo de Al-Ward é um dos maiores da província.

A produção petrolífera síria, que chegava a 420.000 barris por dia antes do começo da revolta popular em março de 2011, foi reduzida a metade com a escalada de violência. Ela é principalmente destinada ao consumo interno.

Enquanto isso, os ataques à capital continuam. Neste domingo, um atentado nas proximidades do hotel Dama Rose, em Damasco, deixou onze pessoas feridas, segundo a televisão síria. O hotel fica no centro da cidade, próximo a vários prédios governamentais e de segurança, e acolheu o mediador internacional pela Síria, Lakhdar Brahimi, durante suas visitas em setembro e outubro na capital síria.

O Exército regular sírio também bombardeou a cidade e sua região, usando aviões, após violentos combates entre tropas e rebeldes na capital na madrugada de hoje, segundo o OSDH.

No sábado, 194 pessoas morreram, 36 em um ataque do Exército na região de Idleb, no noroeste do país, segundo organizações.

Reunião em Doha

O Conselho Nacional Sírio (CNS) começou neste domingo em Doha, no Catar, uma reunião crucial de quatro dias para ampliar sua representatividade. De hoje até quarta-feira, os membros do CNS analisarão sua possível união a outras facções opositoras, e renovarão sua liderança.

Espera-se que a assembleia geral do grupo escolha uma nova Secretaria-Geral, um escritório executivo e um presidente, já que atualmente esse cargo é ocupado por Abdel Baset Seida.

Ao mesmo tempo, a Liga Árabe e o Catar, país anfitrião, convidaram os partidários e outros grupos e personalidades da oposição síria para um novo encontro na quinta-feira.

Pouco antes da abertura da reunião, o opositor sírio Riad Seif, negou os rumores de que pretendia presidir um governo sírio no exílio. Ele disse que trabalhava para a constituição de uma nova direção política para a oposição.

“Eu não serei em nenhum caso candidato para dirigir um governo sírio no exílio. Eu tenho 66 anos e sofro de vários problemas de saúde”, disse o ex-deputado que passou vários anos na prisão e luta contra um câncer.

A imprensa tinha indicado que Seif trabalhava para a constituição de um governo no exílio que deveria ser analisado em Doha, no Catar, durante a reunião da oposição síria.

 

 

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