Imprensa

Alemães criticam cada vez mais abertamente política econômica da França

Capa do jornal francês Libération desta segunda-feira, 12
Capa do jornal francês Libération desta segunda-feira, 12 liberation.fr

A preocupação cada vez maior da Alemanha com a França volta a ilustrar as manchetes de grandes jornais franceses neste início de semana. Os alemães já não escondem as críticas cada vez mais ácidas sobre a política econômica adotada pelo governo do presidente François Hollande.

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O Libération escreve com destaque a palavra Auchtung, que em alemão significa atenção, bem ao lado de uma foto da chanceler Angela Merkel com olhar fixo, como se estivesse falando para cada francês. Segundo o jornal, a Alemanha está apavorada com o rumo adotado pelo país vizinho, seu principal parceiro comercial.
Vista pelas autoridades políticas e econômicas de Berlim, a França não é a Grécia mas ameaça levar o continente ao caminho da bancarrota.

Há vários meses a Alemanha critica o governo Hollande por tomar medidas consideradas inadequadas, mas o sinal de alerta disparou com o anúncio de medidas para melhorar a competitividade da França. Os alemães acham que o vizinho deve reformar o mercado de trabalho e torná-lo bem mais flexível, e atacar com mais firmeza os gastos públicos.

Mas o que irrita profundamente a chanceler Merkel é o projeto de orçamento do ano que vem, escreve o Libé. Ao invés de cortas suas despesas, o governo quer diminuir seu déficit aumentando impostos dos contribuintes e empresas. Segundo o Libération, Paris não nega uma crise com Berlim, mas o governo Hollande relativiza e parece não estar preocupado com o que pensa o vizinho.

Para o Les Echos, não apenas pela pressão da Alemanha mas também pelos indicadores cada mais negativos da economia francesa, François Hollande está sendo forçado a se explicar.
O presidente, que vai conceder amanhã uma entrevista coletiva, recusa qualquer ideia que representa uma mudança no rumo fixado, mas já começa a mostrar sinais de flexibilidade como no caso da TVA, o imposto francês equivalente ao ICMS no Brasil.
O jornal informa ainda em sua primeira página que o Banco da França prevê a entrada do país na recessão.

Le Figaro expõe em sua manchete outro problema ser enfrentado pelo governo Hollande: a greve dos médicos no país. A paralisação para denunciar a preocupação de com medidas do governo é fato raro, escreve o Le Figaro, e revela a preocupação dos profissionais com medidas que ameaçam a medicina privada no país.
 

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