Síria

Damasco condena apoio da França a opositores sírios

Chefe da Coalizão Nacional Síria (CNS), Mouaz Alkhatib
Chefe da Coalizão Nacional Síria (CNS), Mouaz Alkhatib REUTERS/Asmaa Waguih/Files

Ao reconhecer, nesta terça-feira, a oposição síria, a França adotou uma postura "imoral", nas palavras do vice-ministro sírio das Relações Exteriores, Fayçal Mekdad. Ele também classificou de "inaceitável" o eventual envio de armamentos aos rebeldes por Paris. "Permita-me utilizar esta palavra", ele pediu. "é uma posição imoral porque autoriza o assassinato de sírios. Eles apoiam a carnificina, os terroristas e encorajam a destruição da Síria". Desde que eclodiu a revolta no país, em março de 2011, as autoridades sírias associam opositores a terroristas que recebem apoio internacional para semear o caos no país.

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Nesta terça-feira, o presidente François Hollande anunciou que Paris reconhece a nova coalizão da oposição síria, formada domingo, como "representante única do povo sírio" e "futuro governo provisório da Síria democrática, que permitirá acabar com o regime de Bashar al-Assad". Hollande também abriu o diálogo para o envio de armas para os rebeldes, possibilidade até então descartada pelo ocidente. Este "enorme erro", aos olhos de Mekdad, "contradiz a história francesa nas Relações Internacionais" e foi motivado pelo passado colonialista da França.

"A França precisa deixar o Oriente Médio em paz e não entrar neste jogo. Esta ingerência flagrante da França nos assuntos internos sírios viola a carta das Nações Unidas", apontou o vice-ministro, antes de acusar Paris de fornecer apoio técnico e financeiro à oposição. "O apoio ao terrorismo viola o direito internacional", acrescentou. "A França é responsável pela morte de milhares de sírios".

Mekdad também atacou diretamente a oposição. De acordo com ele, o documento de Doha, que estabeleceu a nova coalizão, é uma declaração de guerra: "Eles (opositores) não querem resolver a crise de forma pacífica". O regime de al-Assad, na opinião dele, está disposto a participar de um diálogo nacional com todos aqueles que querem resolver a crise sem violência. Mas os fatos mostram o contrário: desde o início do conflito armado, mais de 36 mil sírios morreram, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Mesmo tendo bombardeado boa parte de seu próprio território, o regime de Bashar al-Assad se diz pronto para a diplomacia. Mas com a direção da oposição na Síria e "não esta que é fabricada e dirigida pelo exterior", como diz Fayçal Mekdad. O Irã, grande aliado de Damasco, anunciou que sediará, no próximo domingo, um "diálogo nacional" entre representantes do governo e líderes de "tribos, partidos políticos, minorias e oposição", mas não especificou quem são os negociadores.

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