Imprensa

Ataques de Israel a Gaza têm motivação política, diz imprensa

Fumaça de imóveis atingidos por bombardeio israelense em Gaza.
Fumaça de imóveis atingidos por bombardeio israelense em Gaza. Reuters/Ahmed Zakot

A escalada da violência na Faixa de Gaza é o destaque da imprensa francesa nesta manhã. Para a maioria dos jornais, os ataques israelenses ao lado palestino têm uma forte motivação política, já que Israel está às vésperas das eleições legislativas.

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O Libération traz uma foto marcante de uma criança morta durante um bombardeio. Mas o diferencial da edição de hoje do Libé é o olhar um convidado especial: o escritor Salman Rushidie. O autor de "Versos Satânicos", livro que lhe custou uma ameaça de morte por parte de muçulmanos radicais, avalia que o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, está fragilizado com a reeleição do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Como ficou claro no primeiro mandato, Obama não mantém as melhores relações com o israelense. Para dar uma prova de força, Netanyahu usa a ofensiva contra Gaza.

Esse viés político também é a interpretação do jornal católico La Croix para a situação entre Israel e os palestinos. O jornal ilustra a capa com uma grande foto de uma coluna de fumaça provocada por projéteis lançados por Israel em Gaza. No editorial na primeira página, o jornal afirma que é difícil compreender quem foi o responsável por começar essa nova onda de violência, mas o editorialista pondera que Israel está em plena campanha eleitoral para as legislativas e, que, por isso, os políticos desejam mostrar força e determinação para proteger o país. O jornal avalia que, de fato, a situação na Faixa de Gaza parece ser perigosa para Israel com o aumento do tráfico de armas por meio de túneis clandestinos na fronteira de Gaza com o Egito.

O jornal comunista L'Humanité argumenta que o assassinato de um membro do Hamas nesse período pré-eleitoral é uma provocação "israelense". Em tom irônico, o editorial do jornal afirma que, a dois meses das eleições legislativas, a ofensiva do governo de Israel não deveria se chamar " pilar de defesa", como foi batizada, mas, sim, "seção eleitoral".

Na análise do jornal, o que também está em xeque é a relevância política da Autoridade Palestina comandada por Mahmoud Abbas. Ababs tem tentado usar a via diplomática para conseguir um Estado palestino, mas os novos ataques de Israel podem minar ainda mais o poder da instituição.

Já o jornal conservador Figaro, afirma que "os mísseis do Hamas ameaçam Tel-Aviv". O diário dá destaque para a versão do governo israelense para o conflito. Citando uma fonte anônima do alto escalão do exército, o jornal informa que o objetivo de Israel com a operação é forçar o Hamas a pedir uma trégua.

 

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