Espanha/ Crise

Terceiro suicídio na Espanha por causa de ordem de despejo

Vizinhos protestam contra o despejo de uma mulher desempregada, em Valência, na Espanha, na quinta-feira (15).
Vizinhos protestam contra o despejo de uma mulher desempregada, em Valência, na Espanha, na quinta-feira (15). REUTERS

Um homem de 50 anos, que estava prestes a ser despejado, se matou nesta sexta-feira em Córdoba, no sul da Espanha. Este é o terceiro caso de suicídio entre proprietários endividados nas últimas semanas no país. O drama ocorre logo após que o governo espanhol anunciou, na quinta-feira, uma moratória das expulsões dos proprietários endividados mais vulneráveis, uma medida de urgência tomada em resposta ao aumento das situações difíceis ligadas à crise econômica.

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Um porta-voz da polícia informou que o homem se jogou da janela se seu apartamento às 11 horas da manhã e faleceu no local. Ele deveria ser despejado nesta sexta-feira.

A subprefeitura afirmou que esta foi “uma expulsão por razões familiares” e que o “apartamento pertencia a uma família, que pediu a expulsão em junho. Não foi pedida por um banco”.

Dois proprietários ameaçados de expulsão cometeram suicídio nas últimas semanas na Espanha, país que se encontra em recessão e onde o índice de desemprego chega a 25%. Em 25 de outubro, um homem foi encontrado enforcado no dia do despejo. Em 9 de novembro, uma mulher de 53 anos se jogou da janela de seu apartamento pouco antes da chegada dos oficiais de justiça.

Despejos

O governo espanhol anunciou na quinta-feira uma moratória de dois anos para os despejos de pequenos proprietários endividados e vulneráveis. A expulsão de milhares de famílias e o suicídio recente de dois proprietários ameaçados de despejo, causaram comoção na Espanha.

Desde o ano passado, as ações pontuais de militantes anti-despejo chegaram a bloquear ou atrasar uma centena deles em todo o país. Mas os números são alarmantes, 350.000 ordens de expulsão foram emitidas desde o começo da crise, em 2008.

Além da moratória de dois anos para os despejos, o governo anunciou a criação de um “fundo de habitação social”, com aluguéis de baixo custo para os que foram despejados. Mas não aceitou a exigência das associações de cancelar os empréstimos das pessoas desalojadas, a maior parte delas deve continuar pagando os créditos com juros.

Podem recorrer à nova regra, pessoas com salário inferior a 1.597 euros mensais, quem tem mensalidades que superam 50% dos ganhos, famílias numerosas, pessoas com necessidades especiais, desempregados e vítimas de violência doméstica.
 

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