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UMP sai em frangalhos da eleição para presidente do partido

Capa do jornal francês l'Humanité desta terça-feira, (20)
Capa do jornal francês l'Humanité desta terça-feira, (20) humanite.fr

Os jornais de hoje destacam a polêmica eleição do novo presidente do partido de direita francês União por um Movimento Popular (UMP). O deputado Jean-François Copé, até então secretário-geral, finalmente foi declarado vencedor da eleição sobre o rival e ex-primeiro-ministro François Fillon, mas a disputa revelou um racha profundo no maior partido de oposição.

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A imprensa comenta a batalha na cúpula da UMP com gravidade, ironia e humor. O diário comunista L'Humanité faz um trocadilho com Copé, cuja pronúncia lembra o verbo cortar em francês, para declarar em manchete que o partido sai da votação cortado ao meio.

O cientista político Gael Brustier afirma ao L'Humanité que a vitória de Copé revela uma mutação na direita. Descomplexado, assumidamente conservador e abertamente islamofóbico, Copé encarna as novas preocupações ocidentais, diz o analista, manifestadas no caso da França por um "pânico" da decadência moral da sociedade.

Dez anos depois de sua fundação, a UMP oferece um aniversário calamitoso, escreve o Libération. O jornal progressista, próximo do Partido Socialista, afirma que as 24 horas que transcorreram entre o final da votação dos afiliados no domingo e o anúncio do resultado, ontem à noite, demonstram o clima de guerrilha na cúpula do partido.

Para o Libé, as suspeitas de fraude, a briga intestina entre Copé e Fillon, revelam um mal-estar profundo da democracia francesa na atualidade. "Quando uma crise de confiança é reforçada por uma crise ideológica, a situação do partido político é grave", nota o jornal.

Le Figaro afirma que a vitória de Copé foi arrancada. O diário conservador sublinha a declaração do perdedor, o ex-premiê Fillon, que derrotado por 98 votos e fortes suspeitas de fraude, disse que o partido vive um racha político e moral.

Em editorial, o diário conservador disse que está na hora de virar a página dessa polêmica que fragilizou a UMP, prejudicando suas perspectivas de exercer uma oposição de peso contra o governo socialista. A direita, que tanto criticou a mesma confusão vivida pelo Partido Socialista entre Ségolène Royale e Martine Aubry, mostra os mesmos sinais decisão.
 

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