Imprensa

Moody' s puniu o governo Hollande por reformas insuficientes, dizem jornais

Capa do jornal francês Les Echos desta quarta-feira, (21)
Capa do jornal francês Les Echos desta quarta-feira, (21) lesechos.fr

A perda do triplo A da França anunciada pela Moody's revela que o país está sob vigilância dos mercados e foi sancionado por não fazer as reformas necessárias, afirma a imprensa francesa nesta quarta-feira. Em suas manchetes, editoriais e reportagens, os jornais estimam que a decisão da agência de classificação de risco coloca ainda mais pressão sobre o governo do presidente socialista François Hollande.

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Ilustrada com um gráfico mostrando o aumento da dívida pública da França que vai atingir 91% do PIB em 2012, a manchete do econômico Les Echos afirma que a França está sendo vigiada de muito perto e se não acelerar o ritmo de suas reformas pode ter sua nota ser novamente degradada.

A Moody's rebaixou em apenas um nível a nota triplo A para Aa1 porque a economia da França é diversificada, ampla e há um esforço do governo para reduzir o déficit público. Mas as reformas até agora são insuficientes para melhorar a competitividade do país, afirma o Les Echos.

O conservador Le Figaro é ainda mais direto e a afirma em sua manchete que a perda do triplo A obriga o presidente Hollande a agir rapidamente para modernizar e tornar mais flexível o mercado de trabalho na França. Após seis meses observando o comportamento do governo socialista, a Moody' s chegou à conclusão que o país não merece a nota máxima, escreve o jornal em seu editorial.

O país ainda não fez mudanças estruturais para melhorar o funcionamento global da economia e a decisão da Moody's, segundo o Le Figaro, deve ser vista como uma última advertência antes que a situação se agrave e os credores façam o país sofrer pelo imobilismo do governo.

O Aujourd'hui en France escreve que a perda do Triplo A não ameaça a economia francesa mas força o governo a duas ações principais: reduzir os gastos públicos e reformar o mercado de trabalho considerado muito rígido.

O jornal lembra ainda que além das reformas pouco convincentes para tornar o país mais competitivo, a agência ainda baseou sua decisão na previsão muito otimista do governo de que a França vá crescer 0,8% no ano que vem e também na fragilidade do país se houver um "crise profunda" na zona do euro.
 

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